O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) realiza, nesta quinta-feira (21 de maio), o reprocessamento dos votos para deputado estadual, um procedimento que deve alterar a composição da Assembleia Legislativa. A medida é consequência da condenação definitiva de Raquelle e Loester Trutis por irregularidades na eleição de 2022.
Com a recontagem, o deputado Neno Razuk (PL) deve perder seu mandato em favor de João César Matto Grosso (PSDB). A mudança reduzirá a bancada do Partido Liberal na Assembleia para seis deputados. O PL poderia ter sua representação ainda mais diminuída, para cinco cadeiras, mas a morosidade da Justiça Eleitoral tem beneficiado o deputado Lucas de Lima (PDT), cujo mandato está sob questionamento.
Desde 2025, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem adiado o julgamento de um processo que pode cassar o mandato de Lucas de Lima. Ele teve sua vaga questionada na Justiça após mudar de partido com autorização do TRE-MS, decisão que o TSE posteriormente ignorou, colocando seu mandato em risco.
A suplente Glaucia Iunes solicitou o mandato de Lucas ao TRE-MS. O desembargador Carlos Alberto Almeida optou por aguardar a decisão do TSE antes de analisar o pedido de Iunes. No entanto, o processo tem se arrastado desde meados de 2025, com a última movimentação registrada em dezembro do ano passado (2025), quando o ministro Nunes Marques pediu vistas.
Mesmo que o pleno do TSE confirme a irregularidade na troca partidária de Lucas, o caso retornaria ao TRE-MS, que poderia pedir o mandato. Contudo, a possibilidade de novos recursos ao TSE e o fato de faltarem apenas seis meses para o término da legislatura (dezembro de 2026) indicam que Lucas de Lima provavelmente permanecerá no cargo até o fim do mandato, independentemente do veredito final.
Glaucia Iunes alega infidelidade partidária de Lucas ao deixar o PDT e solicitou tutela de urgência para garantir que o partido não ficasse sem representante, mas o pedido não foi concedido. Lucas, por sua vez, alegou discriminação política dentro da legenda para justificar sua saída, inicialmente visando uma candidatura à prefeitura da Capital, da qual acabou desistindo.
Após o reprocessamento dos votos nesta quinta-feira, o TRE-MS encaminhará a decisão à Assembleia Legislativa, que deverá convocar João César Matto Grosso imediatamente.
A condenação de Loester Trutis e Raquelle pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ocorreu em março deste ano (2026), por lavagem de dinheiro nas eleições de 2022. Em decisão final e irrecorrível, os ministros Carmen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Ricardo Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques condenaram o ex-casal por movimentações ilícitas de R$ 776 mil, valor que, com correção monetária, supera R$ 1 milhão.
O TSE confirmou o entendimento do TRE-MS de que o então casal utilizou duas empresas para dissimular movimentações indevidas de recursos públicos, configurando lavagem de dinheiro. Os desembargadores apontaram que as empresas teriam recebido valores cruzados dos dois candidatos para simular serviços e mascarar o desvio de verbas.


