Em 22 de maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o nível de risco da epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) de “alto” para “muito alto”, o patamar máximo de alerta. A decisão, anunciada pelo diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, reflete a rápida propagação da doença no país, que já registra 82 casos confirmados e sete mortes.
Em coletiva de imprensa, o diretor-geral da OMS destacou a velocidade da propagação: “A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) está se espalhando rapidamente”. Ele detalhou a revisão da avaliação de risco, que agora classifica a situação como “muito alto” no nível nacional, “alto” no regional e “baixo” no global, mantendo inalterado o cenário para o resto do mundo.
A doença se alastra pelas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, regiões conflagradas pela presença do grupo armado M23, que, com apoio de Ruanda, ocupa grandes extensões de território desde 2021. Este cenário de conflito armado dificulta sobremaneira a resposta sanitária, resultando em situações de caos em Ituri, considerado o epicentro da epidemia, para onde a OMS enviou pessoal adicional.
Segundo Ghebreyesus, além dos 82 casos confirmados e sete óbitos na RDC, há aproximadamente 750 casos suspeitos e 177 mortes sob investigação no país. A situação em Uganda, nação vizinha, é atualmente “estável”, com apenas dois casos confirmados e uma morte notificada.
O ebola, uma febre hemorrágica mortal, já ceifou mais de 15 mil vidas na África nos últimos 50 anos, embora seja menos contagioso que doenças como a COVID-19 ou o sarampo. A cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atual, ainda não possui vacina ou tratamento autorizado, o que exige esforços redobrados em medidas de contenção e detecção rápida para frear sua disseminação.


