A Justiça do Distrito Federal condenou o influenciador e comentarista político Jones Manoel (PSOL) a pagar R$ 30 mil em indenização por danos morais ao deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP). A decisão, proferida pelo juiz Cleber de Andrade Pinto, da 16ª Vara Cível de Brasília, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), considerou que as declarações de Manoel contra o parlamentar ultrapassaram os limites da crítica política e da liberdade de expressão.
De acordo com o processo, Jones Manoel associou Kim Kataguiri ao Primeiro Comando da Capital (PCC), além de imputar acusações de corrupção, enriquecimento ilícito e ligação com ideologias nazistas e fascistas. Tais afirmações foram veiculadas em diversas publicações nas redes sociais e plataformas digitais do influenciador.
Na sentença, o magistrado destacou que as declarações constituem “imputações falsas e graves”, configurando uma “distorção grave e inaceitável do pensamento alheio”. A controvérsia teve origem em 2022, após declarações de Kim Kataguiri no Flow Podcast. Na ocasião, o deputado defendeu que ideologias como o nazismo, embora “antidemocráticas, toscas, bizarras e discriminatórias”, deveriam ser combatidas no debate público e não criminalizadas. O juiz ressaltou que Jones Manoel confundiu a defesa da liberdade de expressão com apologia ao nazismo.
A decisão judicial aponta que, a partir do episódio, Jones Manoel teria promovido uma “campanha sistemática e progressiva de perseguição pessoal, política e ideológica” contra o deputado, estendendo-se por 19 meses. As publicações, consideradas “reiteradas” e “dolosas”, teriam o objetivo de gerar “engajamento e monetização” nas plataformas digitais. Além da indenização, a Justiça determinou a exclusão das postagens consideradas ilícitas.
A sentença ainda é passível de recurso. A equipe de reportagem busca contato com as defesas de Jones Manoel e Kim Kataguiri para obter manifestações sobre a decisão judicial, e o espaço permanece aberto para seus posicionamentos.


