O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026. A medida gerou reações divergentes no Brasil: a oposição celebrou a decisão, enquanto governistas alertaram sobre as potenciais consequências para a economia e a soberania do país.
Reação Governamental e Alertas
Em nota, o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, manifestou a posição do governo. “O crime organizado é um mal que tem de ser combatido”, disse Amorim. Ele acrescentou que a “cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas”. Contudo, o diplomata ressaltou que tratar a questão como “pretexto para intervenção é inaceitável”.
Oposição Acusa Articulação Política
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, Pedro Uzcai (PT-SC), afirmou que a medida norte-americana resultou de uma “articulação da extrema-direita”. Segundo Uzcai, o senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2026, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro conduziram essa movimentação. O congressista declarou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro tentaram buscar junto ao governo dos Estados Unidos “aquilo que perderam no Congresso Nacional”.
“A família Bolsonaro presta mais um desserviço ao Brasil. Depois de reivindicar sanções, tarifas e pressões estrangeiras contra a economia brasileira, de oferecer as nossas riquezas, como os minerais críticos, Flávio e Eduardo avançam agora sobre a segurança pública nacional, usando o crime organizado como pretexto para entregar o país ao comando de Trump”, declarou Uczai. A articulação de Flávio Bolsonaro em Washington sobre temas de segurança e terrorismo tem sido pauta de discussões recentes, conforme noticiado em Flávio Bolsonaro articula em Washington sobre terrorismo e liberdade de expressão.
Impactos Econômicos e Soberania
O deputado federal alertou para as possíveis implicações financeiras. A classificação das facções brasileiras “pode produzir consequências financeiras desastrosas e ampliar os prejuízos à economia brasileira”, afirmou. Uczai detalhou os riscos: “Se instituições financeiras, bancos, empresas ou intermediários forem acusados de lavar dinheiro, movimentar valores ou facilitar pagamentos ligados a facções, o sistema financeiro brasileiro pode ser contaminado por fuga de investimentos, sanções, bloqueio de ativos, perda de correspondentes bancários, travamento de operações internacionais e restrição de crédito”.
Para o líder do PT na Câmara, a medida “ameaça milhões de pessoas que vivem ou trabalham em territórios dominados pelo crime organizado”. Ele também apontou que pode “prejudicar a cooperação penal internacional” e “abrir espaço para pretensões de atuação extraterritorial, medidas coercitivas e até ação armada contra o Brasil”. Uczai concluiu: “O PCC, o Comando Vermelho e todas as organizações criminosas devem ser combatidos com firmeza”. Ele citou o Projeto de Lei nº 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como instrumentos para esse combate.
Em publicação no X (ex-Twitter), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) reforçou a preocupação. Ele afirmou que a classificação resultará em “consequências negativas para o Brasil” e representa um “ataque brutal” à soberania brasileira. Farias mencionou que as facções “estão sendo combatidas pelo governo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O deputado disse que operações da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal “estão asfixiando financ”.
A decisão dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas globais foi amplamente noticiada, gerando repercussão imediata, como detalhado em EUA Classificam PCC e Comando Vermelho como Terroristas Globais.


