A Câmara dos Deputados aprovou, em votação expressiva, o projeto de lei que põe fim à escala de trabalho 6×1, uma medida que promete redefinir a jornada de milhões de brasileiros. Em um consenso raro em meio à polarização política, os oito deputados federais representantes de Mato Grosso do Sul votaram favoravelmente à proposta, que deve começar a ser implementada nos próximos dois meses. A decisão, contudo, não apaziguou o intenso debate ideológico que permeia o Congresso Nacional, com a base governista e a oposição divergindo sobre os verdadeiros méritos e as consequências da nova legislação.
A aprovação foi recebida pela bancada governista como uma das maiores conquistas para o trabalhador brasileiro nas últimas décadas, comparável à redução da jornada semanal para 44 horas, ocorrida há 40 anos. O deputado federal Vander Loubet (PT-MS) afirmou que a medida representa uma vitória inquestionável do governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando a ampla aprovação popular. “Ninguém teve coragem de ir contra, porque 75% da população era favorável e teria uma repercussão muito grande”, resumiu Loubet, enfatizando o respaldo massivo. O deputado Beto Pereira (PSDB-MS), embora de outro partido, também celebrou a aprovação como uma “conquista muito grande para trabalhadores brasileiros e vitória de poder conciliar interesses dos trabalhadores, pequenos empreendedores no país e da indústria e comércio”, indicando um alinhamento pragmático.
Do outro lado do espectro político, deputados do Partido Liberal (PL) e da oposição ao governo criticaram veementemente o processo, acusando a esquerda de hipocrisia por não permitir a discussão de propostas alternativas, como a escala 4×3. Deputados sul-mato-grossenses do PL, ecoando a tese de figuras nacionais como o deputado Nikolas, argumentam que o custo da redução da jornada recairá sobre o trabalhador e que a base governista teria “manobrado” para evitar o debate sobre a 4×3. Um deputado do PL em Mato Grosso do Sul, em postagem nas redes sociais, criticou a “cara de pau” de colegas que afirmaram em plenário que não haveria custos, questionando: “se para eles não existe custo, porque não reconhecer a escala 4×3?”.
Apesar da retórica acalorada e das divisões ideológicas, o projeto foi aprovado com ampla margem. No primeiro turno, registrou 472 votos favoráveis e apenas 22 contrários. No segundo turno, o apoio se manteve robusto, com 461 votos a favor e 19 contra. A unanimidade da bancada de Mato Grosso do Sul na votação final, mesmo com as ressalvas e críticas de alguns de seus membros à condução do processo, sublinha a pressão popular e a inevitabilidade da mudança na legislação trabalhista brasileira.


