O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não participar da Marcha para Jesus nesta quinta-feira (4). Ele justificou a ausência para evitar a percepção de aproveitamento político de um evento religioso em período eleitoral de 2026. A declaração ocorreu durante uma ligação com o apóstolo Estevam Hernandes, fundador do evento no Brasil, e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
“Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque não quero passar a ideia de que estou tirando proveito político de uma coisa sagrada”, afirmou Lula. A conversa foi compartilhada nas redes sociais. Messias e Hernandes participavam da Marcha para Jesus, celebrada no feriado de Corpus Christi em São Paulo, quando contataram o presidente.
Lula celebrou o êxito do evento na capital paulista, que ele sancionou. “Estou muito feliz porque uma coisa que sancionei há tanto tempo atrás e o sucesso que está tendo a Marcha para Jesus é uma coisa muito importante”, disse. O presidente referiu-se à Lei Federal nº 12.025, de 2009, que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus. O evento chegou ao Brasil em 1993, trazido por Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo.
Cenário Político na Marcha para Jesus e Eleições de 2026
Enquanto Lula optou pela distância, o evento reuniu diversos políticos. Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência e rival de Lula nas eleições de 2026, compareceu. Ele estava acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A presença de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas reforça alianças para 2026, evidenciando o peso político do evento.
No trio elétrico destinado às autoridades, Flávio Bolsonaro e Jorge Messias estiveram juntos. Bolsonaro, contudo, negou qualquer tensão. “Isso aqui não é um movimento político, estou aqui porque sou um cristão evangélico. (…) Não tem ‘climão’ nenhum aqui, estamos aqui no meu propósito que é Deus no comando”, declarou o pré-candidato. Flávio Bolsonaro aproveitou a ocasião para criticar o Governo Lula e declarar uma “guerra espiritual”.
Indicação de Jorge Messias ao STF: Nova Tentativa de Lula
A presença de Jorge Messias na Marcha para Jesus coincide com a intenção de Lula de reenviá-lo ao Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Messias foi a indicação inicial de Lula para a cadeira deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso. No entanto, o Senado rejeitou seu nome, em um movimento atribuído à oposição, que considerou a maior derrota do mandato presidencial.
Messias foi o primeiro indicado rejeitado para o cargo desde 1894, recebendo 42 votos contrários e 34 favoráveis. A negativa foi atribuída a uma articulação do presidente da casa, Davi Alcolumbre, vista como um fortalecimento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral de 2026.
Lula sinalizou que reenviará a indicação de Messias. Ele considera o advogado-geral da União um dos melhores juristas do país e atribui a rejeição anterior a motivações políticas, não à falta de qualificação técnica. O presidente enfatizou a prerrogativa do Senado em rejeitar nomes, desde que apresente critérios objetivos. “Sou eu que indico. O Senado pode derrotar alguém se ele não tiver competência jurídica. O que não pode é simplesmente derrotar por derrotar”, argumentou Lula. “Portanto, eu vou indicar o Messias outra vez.”
As eleições de 2026 prometem ser um cenário de intensa disputa, com movimentações políticas já em curso. O TSE já definiu o Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões para 2026, com PL, PT e União Brasil concentrando as maiores fatias.
*Com informações do Estadão Conteúdo e Agência Brasil. Fonte: Jovem Pan News


