O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República em 2026, afirmou que o Brasil atravessa uma “grande guerra espiritual” durante a 34ª edição da Marcha para Jesus, em São Paulo, nesta quinta-feira (4). Ele participou do evento ao lado de diversas autoridades, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição em 2026, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Declarações e Contexto do Evento
Flávio Bolsonaro declarou a jornalistas: “o mundo e o Brasil estão passando por uma grande guerra espiritual”. Ele justificou sua presença na Marcha para Jesus como uma oportunidade para “recarregar as energias” e “orar pelas famílias do país”.
O governador Tarcísio de Freitas cantou no palco principal junto ao apóstolo Estevam Hernandes Filho, da igreja Renascer em Cristo. Jorge Messias, por sua vez, destacou a inclusão, afirmando em transmissão do evento que “a mesa de Jesus é para judeus e gentios”, e que “até Judas se sentou na mesa de Cristo, sem segregação”.
A Marcha partiu da Estação da Luz, no centro de São Paulo, e seguiu em direção à Praça Heróis da FEB, próxima ao Campo de Marte, na zona norte da capital. A organização registrou a inscrição de 23 mil caravanas e utilizou oito trios elétricos no percurso.
Repercussão e Posicionamentos Políticos
Questionado sobre um possível “climão” com Jorge Messias no trio elétrico reservado às autoridades, Flávio Bolsonaro negou qualquer tensão. “Isso aqui não é um movimento político, estou aqui porque sou um cristão evangélico. (…) Não tem ‘climão’ nenhum aqui, estamos aqui no meu propósito que é Deus no comando”, disse o senador.
Em uma breve interação com a imprensa, Flávio reiterou que sua família é vítima de perseguição e que essa situação se estende aos brasileiros. Ele acusou o governo de suposta censura, afirmando que a Marcha para Jesus estaria “irritando muita gente do lado de lá”.
O senador também foi confrontado sobre os diálogos revelados em maio de 2026 pelo The Intercept. As conversas indicavam um pedido de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio Bolsonaro defendeu-se e desviou o assunto, atacando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a cúpula do PT na Bahia. Daniel Vorcaro apresentou uma nova delação premiada à Polícia Federal recentemente.
“Eu sou uma pessoa correta, a gente fez de tudo para fazer um filme em homenagem ao meu pai, que é um cara que merece ter a sua história contada em uma grande produção que vai ficar pronta e, em breve, todos verão. Agora, o governo Lula tem que explicar muito ainda por que fez reuniões secretas para tentar beneficiar alguém. Em especial, a Bahia tem muito a explicar porque foi lá onde tudo começou”, declarou Flávio. A crítica ao governo Lula ecoa posicionamentos de outros líderes da oposição. Governadores Zema e Caiado também criticaram o presidente Lula por questões econômicas, sinalizando alianças para o pleito de 2026.
Questionado sobre seu relacionamento com Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro o descreveu como seu “aliado e amigo”, complementando que ele é “um grande governador”. Ele afirmou que sua vinda a São Paulo nesta quinta-feira foi a primeira oportunidade recente de estar com o governador e o prefeito Ricardo Nunes. A articulação política de Flávio Bolsonaro também envolve questões familiares, como a pressão exercida sobre seu pai para reverter apoios políticos em 2026.


