O Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização não governamental presidida por Karina da Gama, dona da Go Up Entertainment – produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) –, tornou-se alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira, 1º de junho. A ação, com buscas e apreensões, investiga suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades periféricas da capital.
As autoridades policiais suspeitam de uma “confusão patrimonial” entre o ICB e a Go Up Entertainment. Segundo a 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), há indícios consistentes de que parte do dinheiro público destinado ao programa “WiFi Livre SP” teria sido desviado para custear a produção do longa-metragem sobre Bolsonaro. O roteiro de “Dark Horse” é assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP).
A investigação também aponta para a contratação de um escritório de advocacia que já representou Mário Frias em ações judiciais. O advogado teria recebido R$ 341,9 mil do ICB sem o devido detalhamento dos serviços prestados, conforme prestação de contas obtida pelo Estadão e revelada inicialmente pelo portal UOL. Diante das suspeitas, o delegado Antônio Carlos Munuera Silveira requisitou ao Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) a análise das movimentações financeiras de Karina da Gama, do ICB e da Go Up Entertainment para rastrear o fluxo dos valores.
O convênio entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo foi firmado em junho de 2024, com o objetivo de instalar 5 mil pontos de acesso gratuito à internet. Até dezembro de 2025, 3.200 pontos haviam sido implementados. A Polícia Civil investiga a possibilidade de fraude em licitação e lavagem de dinheiro por meio de contas de empresas subcontratadas e outras organizações sociais geridas pela presidente do instituto.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de São Paulo negou veementemente qualquer irregularidade. Em nota, o órgão municipal classificou as acusações como “ilação”, “sem fundamento” e “sem provas”, reforçando a lisura do contrato e da execução do programa.


