Mato Grosso do Sul mantém a estabilidade em seus índices de obesidade infantil, um cenário que, embora não indique piora imediata, acende o alerta para a persistência de um desafio significativo à saúde pública. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) aproveitou a recente data do Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, lembrado na última quarta-feira, 3 de junho de 2026, para reiterar o compromisso com a prevenção e o acompanhamento precoce, cruciais para garantir o desenvolvimento adequado e a qualidade de vida das crianças sul-mato-grossenses.
A obesidade infantil é um problema multifatorial, intimamente ligada a hábitos alimentares inadequados, à redução drástica da atividade física e ao aumento dos comportamentos sedentários, especialmente o tempo excessivo de tela. Essa condição eleva substancialmente o risco de doenças crônicas como diabetes e hipertensão desde cedo, comprometendo o futuro e o bem-estar dos pequenos. Diante desse panorama, a SES enfatiza que o primeiro passo para a identificação e intervenção eficaz é o acompanhamento regular de crescimento e desenvolvimento nas unidades básicas de saúde.
Por meio de avaliações antropométricas simples – aferição de peso e altura – os profissionais de saúde conseguem traçar o perfil nutricional da criança e monitorar sua evolução. Essas informações são meticulosamente registradas na Caderneta da Criança, uma ferramenta indispensável para acompanhar a curva de crescimento e detectar precocemente qualquer indício de sobrepeso ou obesidade. A identificação tempestiva permite que as equipes de saúde ofereçam orientações e intervenções personalizadas, adaptadas a cada caso.
Anderson Holsbach, gerente de Alimentação e Nutrição da SES, sublinha o papel insubstituível da família neste processo. “A família tem papel fundamental nesse processo. Ao levar regularmente a criança à unidade de saúde, é possível monitorar seu crescimento e desenvolvimento e identificar precocemente qualquer alteração no estado nutricional. Quanto mais cedo ocorre essa identificação, maiores são as possibilidades de promover mudanças que favoreçam a saúde da criança”, explica Holsbach.
As transformações no estilo de vida das últimas décadas são apontadas como grandes vilãs. Se antes brincadeiras ao ar livre e a prática espontânea de exercícios eram a norma, hoje o tempo dedicado às telas consome uma parcela significativa do dia infantil. Paralelamente, a facilidade de acesso a alimentos ultraprocessados – como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e bebidas açucaradas – contribui para uma dieta de alta densidade calórica e baixo valor nutricional, favorecendo o ganho de peso excessivo. A SES alerta que é urgente reverter essa tendência, promovendo ambientes e hábitos que incentivem uma infância mais ativa e nutritiva.


