O presidente russo, Vladimir Putin, descartou nesta sexta-feira (5) a possibilidade de um encontro imediato com o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterando que o conflito só terá fim quando os “objetivos estratégicos de Moscou” forem plenamente atingidos. A declaração foi feita durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, um dia após Zelensky propor um diálogo direto entre os chefes de Estado para negociar o fim da guerra, que já se estende por mais de quatro anos.
Putin afirmou não ver “sentido” em dialogar com Zelensky antes que os termos de um eventual acordo de paz sejam tecnicamente definidos por especialistas. O líder russo garantiu que a ofensiva militar prosseguirá de forma ininterrupta até que as metas do Kremlin sejam consolidadas, o que inclui o controle da região de Donbas e a imposição de severas restrições políticas e militares à Ucrânia. Kiev e seus aliados ocidentais rejeitam veementemente essas exigências, classificando-as como uma tentativa de capitulação forçada, e as tentativas de mediação, como as lideradas pelos Estados Unidos, não conseguiram aproximar as partes de um consenso.
Na quinta-feira (4), Zelensky havia enviado um raro apelo direto ao Kremlin por meio de uma carta, propondo o fim das hostilidades através de um diálogo bilateral e sugerindo o agendamento de uma data definitiva para o encontro. “A Ucrânia propõe o fim desta guerra por meio de um diálogo direto entre nós e você”, escreveu o presidente ucraniano em sua mensagem.
Contudo, Putin foi enfático ao rejeitar a oferta no principal palco econômico da Rússia. “Não vejo sentido em nos reunirmos. Para o lado ucraniano, isso serve apenas para interromper o avanço de nossas forças armadas. Precisamos de acordos concretos”, declarou, acrescentando que o trabalho deve permanecer sob responsabilidade de especialistas para o desenvolvimento de soluções prévias. O líder russo também voltou a questionar publicamente a legitimidade de Zelensky como chefe de Estado.
Desde o início da invasão em grande escala, em fevereiro de 2022, o conflito já causou centenas de milhares de mortos e forçou milhões de ucranianos ao deslocamento, transformando vastas áreas do leste e sul do país em escombros e gerando uma das maiores crises humanitárias do século.
Paralelamente aos desdobramentos militares e diplomáticos, Putin aproveitou o fórum para rebater críticas sobre a saúde financeira da Rússia. Embora a economia russa tenha registrado uma contração de 0,2% no primeiro trimestre de 2026 — a primeira queda trimestral em três anos — e enfrente as maiores taxas de juros em duas décadas, o presidente ironizou as previsões de colapso. Citando Mark Twain, Putin afirmou que “os rumores sobre sua morte foram muito exagerados” e defendeu a transição para uma economia “soberana”, menos dependente do Ocidente, asseverando que o padrão de vida russo assemelha-se agora ao de países da zona do euro.


