Um relatório do Escritório Nacional de Auditoria, órgão britânico de controle de contas públicas, divulgado nesta sexta-feira (5), revelou que o ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles III, sublocou casas de campo dentro da propriedade real de Windsor por anos, embolsando os rendimentos enquanto morava na suntuosa Royal Lodge sem pagar aluguel. A revelação agrava a já intensa controvérsia em torno da falta de transparência no uso das residências reais, especialmente após a destituição de Andrew de seus títulos em 2025, em meio a novas revelações sobre seus vínculos com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Andrew Mountbatten-Windsor ocupou a Royal Lodge, uma mansão de 30 cômodos a cerca de 30 quilômetros de Londres, desde 2003 até recentemente, onde residia com sua ex-esposa Sarah Ferguson. Para garantir o contrato de arrendamento de 75 anos, ele pagou uma taxa inicial de £1 milhão (aproximadamente R$ 7,4 milhões) e se comprometeu a investir £7,5 milhões (cerca de R$ 55,5 milhões) em reformas. No entanto, o relatório aponta que o aluguel acordado, considerado simbólico, era, na prática, “zero”. As “três casas de campo da propriedade Royal Lodge foram sublocadas” e as “receitas provenientes dessa sublocação foram pagas a Andrew Mountbatten-Windsor”, sem que o órgão saiba o valor exato cobrado. Os imóveis sublocados estão desocupados desde abril deste ano.
A comissão parlamentar encarregada das contas públicas planeja iniciar uma investigação este ano sobre as propriedades reais, em um movimento que reflete a crescente pressão por maior transparência. Paralelamente, a polícia britânica investiga o ex-príncipe por “descumprimento no exercício de função pública”, suspeitando que ele tenha repassado documentos econômicos confidenciais a Epstein entre 2001 e 2011, período em que atuava como enviado especial do Reino Unido para o Comércio. Andrew foi detido brevemente em fevereiro e a Royal Lodge foi alvo de buscas policiais, levando-o a se mudar para a propriedade privada do rei em Sandringham.
O relatório também destaca as diferentes realidades de moradia entre membros da família real. Enquanto as filhas de Andrew, Beatrice e Eugenie — que não são integrantes ativas da realeza — dispõem de apartamentos em palácios reais de Londres, com aluguéis pagos com recursos pessoais do rei, o herdeiro do trono, príncipe William, paga mais de £300 mil (cerca de R$ 2,2 milhões) anuais para ocupar a residência Forest Lodge, em Windsor, onde se instalou no ano passado com a princesa Kate Middleton e seus três filhos. Essa disparidade sublinha as questões de equidade e responsabilidade fiscal que permeiam o debate sobre as finanças e privilégios da monarquia.


