Escândalo de R$ 27 Mi: Gaeco Cita Políticos em Fraude na Saúde
A investigação do Gaeco, batizada de Operação Gutenberg, aprofunda-se em um esquema onde municípios sul-mato-grossenses supostamente adquiriam materiais da Editora Avante em troca de benefícios relacionados à regulação de vagas na saúde. O documento aponta que o então coordenador da Regulação da Saúde do Estado, Ed Carlo, e o advogado Gabriel Taquino, identificado como vendedor da editora, utilizavam nomes de autoridades políticas como um meio para acessar prefeitos e expandir a venda de materiais didáticos.
Entre os nomes que surgem nas conversas interceptadas estão o deputado federal Dagoberto Nogueira (PP), o atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) Sérgio de Paula, e os deputados estaduais Jamilson Name (PP), Paulo Corrêa (PL), Lídio Lopes (Avante), Mara Caseiro (PL) e Herculano Borges, que exercia mandato na Assembleia Legislativa à época dos fatos.
O relatório do Gaeco ressalta que essas referências são parte dos diálogos entre os investigados e, nesses trechos, não há uma conclusão formal de que as autoridades citadas tenham participado ativamente do suposto esquema de fraude. As menções são interpretadas pelos investigadores como uma estratégia dos interlocutores para tentar estabelecer contato e influenciar gestores municipais.
Em uma das gravações, Gabriel Taquino sugere a Ed Carlo que procure o deputado Paulo Corrêa para auxiliar a “fazer dinheiro”. Em outro momento, Ed Carlo declara que irá “alinhar” com o deputado Jamilson Name e, logo em seguida, menciona que voltará a pedir auxílio a Paulo Corrêa.
Há também um diálogo onde Ed Carlo expressa a intenção de buscar o deputado federal Dagoberto Nogueira para tratar de questões relacionadas a Paranaíba. Na mesma conversa, os investigados comemoram o sucesso em negociações com algumas prefeituras e afirmam que conversariam com Tiago, identificado nas mensagens como genro da deputada estadual Mara Caseiro. O relatório ainda registra uma gravação que faz alusão a uma possível reunião com o deputado estadual Lídio Lopes, realizada em sua residência em Campo Grande.
Um trecho adicional do documento aponta que os investigados mencionaram um assessor do então deputado estadual Herculano Borges, em discussões sobre agendas e contatos políticos que poderiam facilitar a aproximação com administrações municipais. O conselheiro do TCE, Sérgio de Paula, também é citado. Em uma das conversas, Ed Carlo instrui Gabriel Taquino a verificar os municípios vinculados a Sérgio de Paula e Paulo Corrêa antes de encaminhar propostas comerciais. Em outra mensagem, há apenas a menção de que “o do Sérgio” estaria “trabalhando duro”, sem maiores detalhes.
De acordo com o Gaeco, o conjunto dessas mensagens e demais evidências integram o material da investigação que apura a suposta utilização da estrutura de regulação estadual da saúde para favorecer a venda de materiais da Editora Avante a diversas prefeituras de Mato Grosso do Sul. A apuração permanece em andamento, e os desdobramentos são aguardados pela justiça.
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