Delegado de MS é suspeito de desviar cocaína para bancar R$ 190 mil em luxo
O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, conhecido como ‘Careca’, é alvo de investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por usar dinheiro de cocaína desviada para construir uma mansão no condomínio Alphaville I, em Campo Grande. O levantamento aponta que a aquisição de eletrodomésticos de luxo chegou a R$ 190 mil.
Gastos de luxo na construção
As planilhas da construção revelaram pagamentos em mobiliário de alto padrão, como porcelanatos, sistemas de automação, ar-condicionado e itens de madeira. Somente o acabamento teve custo estimado em mais de R$ 1,6 milhão, sendo que R$ 1,2 milhão foi pago entre março de 2025 e abril de 2026. Veja os itens de maior valor:
- Sistema de ar-condicionado: R$ 81 mil
- Elevador: R$ 89 mil
- Sistemas de automação: R$ 170 mil
- Eletrodomésticos de luxo: R$ 190 mil
- Madeiras: R$ 300 mil
- Churrasqueira: R$ 21 mil
Enriquecimento incompatível com a renda
Na declaração de imposto de renda de 2026, o delegado informou rendimentos de R$ 519 mil no ano-calendário de 2025. Em pouco mais de um ano, no entanto, os gastos com os itens listados somam mais de R$ 1,2 milhão, valor superior ao dobro de sua renda declarada. Para o Gaeco, o esquema proporcionou enriquecimento ilícito, com destaque para a aquisição de um terreno no Alphaville I por R$ 400 mil, pago em grande parte em dinheiro vivo.
Esquema de desvio e repasse
A Operação Infiltrados investiga o desvio de cocaína apreendida pela Denar. O entorpecente era omitido dos registros ou retirado de depósitos policiais e repassado a traficantes. Os policiais suspeitos usavam a função pública para atuar como fornecedores do tráfico. A investigação começou em outubro de 2025 e cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
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