Pai de jovem morta a tiros em Campo Grande viu o último suspiro
Prestes a começar o júri popular de Matheus Henrique de Oliveira Domingos na manhã desta sexta-feira (2), em Campo Grande, a família pede justiça pela morte de Kamylla Scarllet Fernandes Cristaldo. A jovem foi baleada em 1º de setembro de 2024, enquanto esperava motociclista de aplicativo, e morreu três meses depois.
Pai viu o último suspiro de Kamylla
Ao Jornal Midiamax, o pai da vítima, Flávio Cristaldo de Jesus, lembrou a criação da filha e se emocionou ao contar os últimos momentos dela. “Criei-a desde pequenininha. A vi nascer, eu estava lá. Eu criei, embalei cólicas, noites sem dormir. Dei de mamar, comprei fralda. Eu era office boy na época. Pedalava essa cidade para comprar as coisas para minha filha e ele a tirou de mim”, desabafou.
Flávio, pai de criação de Kamylla, acompanhou a jovem durante os três meses de internação e ficou com a imagem do último suspiro. “Os últimos três meses de vida da minha filha foram comigo [estava internada]. Eu fiquei com a imagem do último suspiro dela. Segurando minha mão. E falando: ‘Pai, não me deixa. Não deixe! Eu não quero ir!’”, contou.
Sem conseguir deixar a Santa Casa, ele disse que o vazio não é preenchido por nada. “Sem trocar, sem sair daquela Santa Casa, sem fazer nada no mundo aqui fora. Todos os dias tem médico. Os enfermeiros que eu conheci durante a minha vida diziam: ‘Pai, vai lá fora um pouco respirar’. Eu não conseguia. Lembranças estão na memória. Mas o vazio que a gente sente dentro de casa, no cotidiano, no dia a dia, nada preenche”, afirmou.
Flávio também pediu um basta nos feminicídios. “A tamanha crueldade que esse cara fez com a minha filha, sem dar direito de defesa, e motivado torpemente a fazer isso… Eu só quero que a justiça seja feita também. Chega de matar mulheres! Chega de feminicídio! Só existe homem por meio de mulher! Não tem como ter homem sem mulher! Elas nos dão a vida. Chega, gente! Chega, eu peço, pelo amor de Deus!”, implorou.
Avó e mãe de Kamylla fala do sonho interrompido
Elizeth Fernandes Cristaldo, avó e mãe de Kamylla, lembrou que a jovem sonhava em ser mãe. Kamylla deixou um filho de apenas dois anos. “Eu clamo por justiça, por ter me deixado tão só com um anjo, que é o filhinho dela, que o sonho dela era ser mãe. Quando ela conseguiu realizar o sonho dela, ela ficou apenas dois anos com ele, e ele [autor] tirou a vida da minha neta”, relatou.
Elizeth contou que o neto sente saudade da mãe. “O anjo dela [filho] pede por ela, sente o cheiro do perfume dela. Ele conhece a roupa que ela usava, que eu guardo. Sabe, hoje mesmo ele está comigo; eu trouxe até o carro. Ele vem falando: ‘Vovó, eu amo minha mamãezinha’”, disse.
A avó também revelou o vazio deixado em casa. “Ela me cuidava. Hoje, eu não tenho mais quem chegue no portão e me chame: ‘Mãezinha, cheguei!’ Não tenho mais. Eu clamo por justiça. Tenho um vazio imenso. A minha casa ficou triste, porque era ela quem alegrava, com sonhos e planos para o amanhã”, lembrou.
Acusado ficou foragido e foi preso em outubro de 2025
Matheus Henrique de Oliveira Domingos era procurado pela DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) desde dezembro de 2024, quando foi identificado como autor do crime. A Justiça expediu um mandado de prisão preventiva contra ele.
Militares da 11ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar) monitoraram possíveis endereços e, em 13 de outubro de 2025, encontraram o rapaz em uma casa abandonada na Rua Osmira Machado de Almeida, no Jardim das Cerejeiras, em Campo Grande. Nesta sexta-feira (2), ele ocupa o banco dos réus na 2ª Vara do Tribunal do Júri.
Relembre o crime e a motivação
Kamylla tinha mudança marcada para o dia 2 de setembro de 2024. Ela esperava uma motociclista de aplicativo na Rua Nhamunda, em Campo Grande, quando o autor chegou e efetuou os disparos. Vizinhos encontraram a mulher do outro lado da rua, e testemunhas relataram a fuga de um homem correndo após os tiros.
A família suspeitou do envolvimento de um casal, mas a investigação descartou essa ligação e também a hipótese de assalto. Ainda no hospital, Kamylla recobrou a consciência e identificou o autor. Segundo ela, Matheus, então com 22 anos, namorado de uma mulher com quem Kamylla dividia uma casa, fez os disparos por ciúmes da amizade entre as duas. A jovem ficou tetraplégica e morreu em 19 de dezembro de 2024.
- Suspeita descartada: casal que teria se desentendido com a vítima não teve ligação com o crime.
- Motivação: ciúmes da relação de amizade entre Kamylla e a namorada do réu.
- Desfecho: jovem ficou tetraplégica e morreu após três meses internada.
O monstro universitário
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