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Estado

MP revela R$ 10 milhões em propina da saúde para políticos e diretor

MP aponta que verba da saúde foi desviada por empresas de fachada para políticos e diretores de hospital.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 12/10/2026 - 07:52 | Meu MS News
MP revela R$ 10 milhões em propina da saúde para políticos e diretor
Hospital Municipal de Sidrolândia. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)

O Ministério Público, por meio do Gaeco, detalhou o esquema de desvio de quase R$ 10 milhões do Hospital Municipal de Sidrolândia. O dinheiro, destinado a obras e compras de suprimentos médicos, foi parar nas mãos de políticos, servidores públicos e diretores da instituição. A investigação, batizada de Operação Dirty Pix, resultou em prisões e afastamentos.

O caminho do dinheiro

Segundo o relatório do Gaeco, os repasses do hospital foram direcionados para duas empresas com sede em Manaus: a Farma Medical e a NSR Comércio (Pharbox). Elas funcionaram como ponte para distribuir propina e lavar o dinheiro desviado entre outubro e dezembro de 2022.

A Farma Medical recebeu R$ 3.562.878,43 do hospital e repassou R$ 625 mil diretamente para os investigados. Já a Pharbox recebeu R$ 6.223.591,70 e distribuiu R$ 357,5 mil para o mesmo grupo.

Valores e beneficiários

Os principais repasses do esquema foram:

  • Júlio Cesar Alves da Silva, ex-assessor político, recebeu R$ 647,5 mil (R$ 390 mil da Farma Medical e R$ 257,5 mil da Pharbox).
  • Julia Carla Nascimento, apontada como intermediária, recebeu R$ 100 mil.
  • Adriele Nogueira Trelha, diretora administrativa, recebeu R$ 190 mil (R$ 90 mil da Farma Medical e R$ 100 mil da Pharbox).
  • Cledinaldo Cotócio, vereador, recebeu R$ 25 mil.
  • Cleyton Teixeira, secretário de Agricultura, recebeu R$ 20 mil.

Renda baixa, movimentação milionária

A investigação revelou uma forte desproporção entre a renda declarada e os valores movimentados pelos envolvidos. Júlio Cesar, que tinha salário de R$ 4,1 mil, movimentou R$ 2,4 milhões em cinco meses. Adriele, com salário de R$ 1,5 mil, movimentou R$ 1,4 milhão no mesmo período.

O ex-presidente do hospital, Jacob Meeuwis Breure, foi o maior movimentador, com R$ 42,8 milhões em transações. Ele recebeu R$ 70 mil diretamente da conta de Adriele, confirmando a rede de repasses do esquema.

Prisões e afastamentos

A Operação Dirty Pix levou três pessoas para a cadeia: Jacob Breure (presidente do hospital), a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e o ex-assessor Júlio César Alves da Silva. Foram afastados dos cargos os secretários municipais Enelvo Júnior (Desenvolvimento Econômico) e Cleyton Teixeira (Agricultura), além dos vereadores Cledinaldo Cotócio (PSDB), Adavilton Brandão (MDB) e Izaqueu Diniz (PSD).

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