Defesa alega conexão criminal e pede suspensão de júri por morte de jogador
A defesa de Danilo Alves Vieira da Silva, um dos réus pela morte do jogador de futebol Hugo Vinícius Skulny, de 19 anos, pediu a suspensão do júri popular. O julgamento estava marcado para o dia 26 de outubro, em Amambai, cidade a 351 km de Campo Grande. A justiça já havia transferido o caso de Sete Quedas para Amambai para garantir a imparcialidade.
Pedido de urgência da defesa
Faltando pouco mais de uma semana para o júri, a defesa de Danilo entrou com um pedido de urgência. O objetivo é que a sessão plenária seja retirada de pauta até que a justiça analise uma questão de conexão probatória levantada na comarca de Sete Quedas.
No documento, a defesa argumenta que quer preservar a utilidade de uma decisão judicial sobre a possível conexão entre o homicídio e o delito de porte de arma de fogo, que é objeto de outra ação penal. “A proximidade da sessão exige tutela processual preventiva”, afirma o advogado. “Se o Júri for realizado antes da apreciação do requerimento, pode desaparecer a possibilidade de julgamento conjunto.”
Posição do Ministério Público
A Justiça abriu vista ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que se manifestou contra a suspensão. O MPMS destacou que Danilo foi citado e intimado para apresentar resposta, mas ficou inerte por mais de 65 dias.
Para o MPMS, reunir os processos nesta etapa é juridicamente inviável, pois “afronta a estabilidade da decisão de pronúncia preclusa e subverte a estrutura bifásica do Tribunal do Júri”. O órgão também apontou que a ação de porte de arma ainda está em fase inicial, sem juízo de admissibilidade para o rito do júri. O MPMS pediu o indeferimento do pedido e a manutenção do julgamento em Amambai.
O crime brutal em Sete Quedas
O assassinato ocorreu em junho de 2023, em Sete Quedas. Hugo Vinícius Skulny teve um relacionamento de oito meses com Rúbia Joice de Oliver Luvisetto. Após o término, ela não aceitava o fim e enviava mensagens para encontrá-lo, ao mesmo tempo que se envolvia com Danilo para causar ciúmes.
Na noite de 24 de junho de 2023, durante uma festa no Paraguai, Rúbia atraiu Hugo até sua casa em Sete Quedas. Ao entrar no imóvel, a vítima encontrou Rúbia, Danilo e Cleiton Torres Vobeto. Danilo sacou uma arma e efetuou um disparo, fazendo Hugo cair. Cleiton verificou que ele ainda respirava, e os dois o colocaram na carroceria de uma picape.
Os levaram até uma propriedade rural da família de Danilo, na rodovia MS-160. Lá, perceberam que Hugo ainda estava vivo e usaram um facão para desferir golpes no tórax, causando a morte. O laudo necroscópico apontou que esses ferimentos foram fatais. Em seguida, jogaram o corpo no Rio Iguatemi.
Ocultamento e mutilação
Depois do crime, Rúbia, com a ajuda do padrasto Patrick Eduardo do Nascimento e da mãe Noemi Matos de Oliver, limpou a casa e ocultou vestígios. Patrick escondeu a Saveiro usada no crime e todos, exceto Danilo, foram para o Paraguai.
Entre os dias 25 de junho e 1º de julho, Danilo voltou ao sítio e, com um barco, percebeu que o cadáver estava visível no rio. Ele retirou o corpo e o mutilou com uma serra fita, jogando os pedaços novamente no rio. O corpo de Hugo só foi encontrado no dia 2 de julho, após uma semana de buscas.
Além de Danilo, são réus no processo: Rúbia, Cleiton, Patrick e Noemi. Os dois últimos respondem por fraude processual. O julgamento em Amambai pode se prolongar por mais de um dia devido à complexidade do caso.
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