Militar admite risco ao dirigir bêbado em acidente que matou motociclista
O soldado do Exército de 22 anos, acusado de matar a vigilante Miriam Rosa Matos em um acidente de trânsito em junho deste ano, participou da primeira audiência de instrução e julgamento nesta segunda-feira (13), na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Durante o depoimento, ele confessou que sabia do perigo de dirigir alcoolizado.
Audiência ouve testemunhas e réu
Três testemunhas foram ouvidas, além do réu. O primeiro a depor foi um policial militar que atendeu a ocorrência. Ele informou detalhes sobre a cena do acidente e afirmou que a colisão poderia ter sido evitada. “Foi por fração de um segundo. Eu estava acostumado a mexer com atendimento de trânsito, mas este foi bem complexo”, relatou.
O réu foi o último a prestar depoimento. Questionado sobre o dia do acidente, disse que era soldado desde 2023 e estava afastado há cerca de dois anos por transtornos psiquiátricos. Também afirmou que, antes do acidente, fazia uso de novos medicamentos para controle de ansiedade, depressão e esquizofrenia.
Uso de álcool e fuga
O militar justificou que não bebia com frequência, mas na madrugada anterior havia saído com um amigo e ingerido bebidas alcoólicas. Ao ser questionado, admitiu ter ciência de que oferecia risco por estar embriagado.
O amigo que estava com ele na caminhonete disse que comprou uma garrafa de destilado e que os dois beberam em um bar. Depois foram para um segundo bar, deixaram amigas em casa e seguiram para a casa de outros amigos.
Antes do acidente fatal, a dupla se envolveu em uma colisão com um motorista de aplicativo. O militar contou que fugiu do outro condutor por medo. “Entrei em pânico. Fiquei com medo de tomar um tiro”, justificou.
O motorista do Virtus negou a versão. Ele afirmou que sentiu um forte impacto e tentou fazer o motorista parar, mas ele continuou em alta velocidade. “Ele estava tão rápido que a distância ficou muito maior entre nós. Nem vi a outra batida, só ouvi o barulho”, disse.
Velocidade e perícia
O militar afirmou que trafegava entre 60 km/h e 70 km/h no momento da colisão com a motociclista. No entanto, um laudo pericial aponta velocidade de aproximadamente 120 km/h. “Eu não estava nessa velocidade”, frisou. Ele admitiu ter passado por sinais vermelhos entre a batida com o Virtus e o atropelamento da moto.
Atualmente, o réu está internado em uma clínica psiquiátrica. A data do julgamento ainda não foi informada.
Relembre o caso
O acidente ocorreu em 20 de junho, na esquina das ruas Padre João Crippa e Maracaju, em Campo Grande. A motociclista Miriam Rosa Matos seguia pela Padre João Crippa em direção à Rua Maracaju quando foi atingida pela caminhonete do militar, que vinha na Maracaju sentido Avenida Presidente Ernesto Geisel.
Com o impacto, Miriam foi lançada por cerca de 20 metros. O veículo ficou destruído e ela morreu no local. O condutor perdeu o controle, derrubou uma árvore e parou no estacionamento de uma clínica médica. A caminhonete teve capô e faróis arrancados e portas destruídas.
Tanto o motorista quanto o passageiro apresentavam sinais de embriaguez e foram levados sob escolta para atendimento médico. O passageiro foi liberado e conduzido à Depac-Cepol.
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