Propina via Pix e mensagens revelam esquema de R$78 mi em Amambai
O Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS) ofereceu uma nova denúncia no âmbito da Operação Laços Ocultos, que investiga um esquema que desviou recursos públicos de contratos que somam mais de R$ 78 milhões. A acusação mira políticos, servidores e empresários envolvidos em fraudes licitatórias na Prefeitura de Amambai entre 2018 e 2023. O esquema era comandado pelo ex-vice-prefeito Valter Brito da Silva.
Funcionamento do esquema
De acordo com as investigações, o grupo utilizava empresas de fachada, como JFL, MMA Engenharia e Águia, para simular concorrência em licitações. As fraudes ocorriam principalmente na modalidade carta-convite, com alternância de vencedores para garantir contratos milionários.
A nova denúncia foca nos engenheiros Maurício Sartoretto Martinez e Paulo César Lopes Lemes, que atuavam na fiscalização técnica e omitiram irregularidades, permitindo o conluio entre as empresas.
Propinas via Pix e transferências
Investigações do Gecoc utilizaram quebra de sigilo bancário e análise de mensagens. Em diálogos interceptados, Martinez pede o repasse de valores com a mensagem: “Não esquece de mim”. Já Lemes orientava empreiteiros a evitar empresas “manjadas” para não levantar suspeitas.
- Maurício Sartoretto Martinez: recebeu ao menos R$ 16.995,00 em propina, conforme a denúncia.
- Paulo César Lopes Lemes: recebeu R$ 2.800,00, incluindo R$ 300 por medição realizada para a empresa JFL.
Reações das defesas
Os advogados dos acusados apresentaram diferentes estratégias. A defesa de Jucélia Barros Rodrigues alega cerceamento e falta de individualização, requerendo absolvição sumária. Já o advogado de Paulo César Lopes Lemes pede nulidade absoluta por incompetência do juízo. A defesa de Jonathan Fraga de Lima e Letícia de Carvalho Teoli Vitorasso também sustenta nulidade e pede o desentranhamento das provas. A defesa de Valter Brito informou que confia na inocência do cliente e aguarda a instrução processual.
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