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Policial

Denúncia aponta lavagem de R$ 1,6 milhão com drogas desviadas de delegacia

Denúncia do Gaeco aponta lavagem de R$ 1,6 milhão com drogas desviadas da Denar e envolve 23 pessoas, incluindo 10 policiais.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 20/10/2026 - 07:35 | Meu MS News
Denúncia aponta lavagem de R$ 1,6 milhão com drogas desviadas de delegacia
Delegado Hoffman d’Ávila, quando ainda era titular da Denar. (Henrique Arakaki, Midiamax)

O Gaeco denunciou 23 pessoas — entre elas 10 policiais — por organização criminosa, corrupção, tráfico de drogas, peculato e lavagem de dinheiro. A investigação faz parte da Operação Infiltrados, que prendeu o delegado afastado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa. O órgão pede a condenação de todos e o pagamento de R$ 10 milhões.

As apurações reúnem o suposto desvio de entorpecentes que estavam sob custódia da Denar, a circulação de dinheiro entre pessoas e empresas ligadas aos investigados e a suspeita de ocultação de bens para dificultar a identificação da origem dos recursos.

Lavagem de dinheiro com drogas desviadas é apontada pelo Gaeco

A denúncia descreve 21 operações financeiras realizadas por duas investigadas apontadas como testas de ferro do traficante Lucas da Silva dos Santos, o LK. Ele seria o responsável por articular policiais e integrantes do tráfico, informar carregamentos, negociar a quantidade de droga desviada e coordenar a venda dos entorpecentes.

As movimentações rastreadas entre 17 de maio e 15 de outubro de 2024 somaram R$ 1.632.604,32. Os beneficiários finais seriam LK e a empresa L R Obras e Construções.

Para o Ministério Público, os recursos circularam por contas de terceiros para dificultar o rastreamento. Parte dos valores teria sido sacada e repassada pessoalmente a policiais civis investigados.

Delegado pagou R$ 400 mil em espécie por terreno

A acusação aponta suposta evolução patrimonial incompatível com os rendimentos de Hoffman. Os bens declarados teriam passado de R$ 374 mil, em dezembro de 2023, para R$ 1,22 milhão, em dezembro de 2025. As dívidas subiram de R$ 274,8 mil para R$ 1,36 milhão no mesmo intervalo.

  • Terreno: R$ 400 mil pagos em espécie por um lote no condomínio Alphaville I.
  • Veículo: R$ 75 mil em espécie na compra de um Honda HR-V modelo 2025.
  • Obra: planilhas localizadas em dados telemáticos indicaram custo superior a R$ 1,6 milhão apenas na etapa de acabamento.
  • Empréstimo: Hoffman disse em interrogatório ter recebido R$ 750 mil de um amigo em Goiânia, sem apresentar comprovação.

Para o Gaeco, o caso reúne sinais de simulação para mascarar a entrada de dinheiro ilegal. A denúncia cita ainda R$ 436.752 em créditos recebidos pelo delegado e pela esposa com depositantes não identificados, o que foi classificado como “características típicas de recebimento de propina”.

Defesa nega participação do delegado

O advogado José Roberto Rosa afirmou que as provas serão questionadas na instrução processual. Segundo ele, pessoas que agiam sob o comando do delegado podem ter cometido ilegalidades, mas não há indicação direta de participação de Hoffman.

“Temos certeza de que, ao final, a verdade vai prevalecer e vai ficar demonstrado que o delegado não teve qualquer participação nesses eventos”, declarou.

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