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Política

Listas de boicote político a empresas provocam reação de entidades

OAB, Abrasel e MPT alertam para riscos jurídicos e democráticos de listas que incentivam boicote econômico a empresas por posição política.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 30/10/2026 - 11:49 | Meu MS News
Listas de boicote político a empresas provocam reação de entidades
Comércio - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Listas que identificam empresas, comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores para boicote por posição política têm gerado reação de entidades representativas e órgãos do sistema de Justiça. Organizações empresariais, seccionais da OAB e o Ministério Público do Trabalho (MPT) passaram a alertar para os riscos jurídicos e democráticos desse tipo de iniciativa.

A mobilização ocorre em meio ao aumento de relatos de constrangimentos, discriminação e retaliações após as eleições de 2026.

Entidades repudiam boicote político e alertam para riscos

O setor de bares e restaurantes está entre os mais afetados. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) foi uma das primeiras entidades a se manifestar. Em nota, repudiou a circulação de listas que associam estabelecimentos a posicionamentos políticos e incentivam consumidores a deixar de frequentá-los.

A entidade afirma que os empresários têm diferentes convicções políticas e que a diversidade de opiniões deve ser respeitada. Campanhas para prejudicar economicamente empresas podem gerar responsabilização civil e judicial, atingindo também os funcionários que dependem do movimento.

“A divulgação dessas listas pode configurar ato ilícito e sujeitar os responsáveis a ações na Justiça. O consumidor é livre para escolher onde vai comer e beber. Nenhum estabelecimento pode discriminar ou se recusar a atender alguém em função de seu posicionamento político”, diz a nota da Abrasel.

OAB defende liberdade de manifestação

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota de repúdio em suas redes sociais no Tocantins. A entidade ressaltou que a liberdade de manifestação e a pluralidade de ideias são pilares do Estado Democrático de Direito.

Para a seccional, divergências eleitorais não podem justificar perseguição econômica, exposição pública ou restrição de direitos. Atos de discriminação ou constrangimento podem resultar em responsabilização legal.

MPT cobra retirada de publicações sobre voto

O Ministério Público do Trabalho identificou situações em que plataformas digitais são usadas para forçar empresários a vigiar, expor, deixar de contratar e demitir funcionários por causa do voto. Os procuradores entraram com ação civil pública contra a Meta, dona de Instagram, Facebook e Threads, para que esse tipo de publicação seja removido.

Após o segundo turno das eleições, perfis nas plataformas passaram a convocar empregadores nesse sentido. O MPT recebeu:

  • Denúncias em 3 dias após o pleito: 1.140 casos de assédio eleitoral
  • Total desde o início da campanha: 3.080 registros
  • Ocorrências após o resultado das urnas: quase 30% do total

O procurador do trabalho Maurício de Mello afirmou que os dados indicam alta relevância das denúncias pós-eleição. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, disse que os efeitos atingem também autônomos e pequenos estabelecimentos comerciais.

Boicote político é prática autoritária, dizem especialistas

A ex-deputada federal Manuela d’Ávila (PCdoB) comparou as listas de boicote à perseguição econômica contra comerciantes judeus na Alemanha nazista. Em vídeo, ela afirmou que a identificação pública de empresas para estimular prejuízos por convicções políticas é uma prática autoritária que deve ser combatida no início.

“Sabe como começou o boicote aos judeus na Alemanha? Com listas. Em 1933, os nazistas identificavam quem eram essas pessoas, onde trabalhavam e quais lojas lhes pertenciam”, disse.

O professor de História Contemporânea da UFRJ Francisco Carlos Teixeira confirmou a referência histórica. Segundo ele, a organização de listas é prática comum a regimes autoritários, ditaduras e ao fascismo, inclusive na ditadura militar brasileira, com cassações, exílios e mortes.

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Apesar da proximidade intensa entre o gado comercial e a fauna selvagem, o MS mantém um estatuto de excelência: há mais de 15 anos que o estado não regista qualquer foco de febre aftosa, blindando a economia e a biologia local.

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