Os Estados Unidos ratificaram sua tradicional neutralidade sobre a soberania das Ilhas Malvinas (Falklands para os britânicos) nesta sexta-feira, 24 de abril, um dia após surgirem informações sobre uma possível revisão dessa postura em retaliação a aliados. A confirmação veio de um porta-voz do Departamento de Estado, que buscou dissipar as especulações que circularam sobre uma mudança na diplomacia americana.
A posição oficial de Washington, conforme declarado, é de não tomar partido na disputa territorial entre Argentina e Reino Unido, reconhecendo “a administração de fato” britânica sobre o arquipélago no Atlântico Sul, mas sem endossar as reivindicações de soberania de nenhuma das partes. “Nossa posição sobre as ilhas continua sendo a neutralidade. Sabemos que há uma disputa entre Argentina e Reino Unido devido a reivindicações sobre sua soberania”, afirmou o porta-voz.
As especulações que levaram à ratificação da neutralidade foram noticiadas pela agência Reuters, citando fontes do Pentágono. Segundo esses relatos, os Estados Unidos estariam considerando revisar sua posição sobre as Malvinas como uma forma de represália pela suposta falta de apoio do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em uma guerra no Oriente Médio. Essa potencial mudança teria como objetivo pressionar Londres em questões de política externa.
Paralelamente, os mesmos relatos sugeriam que Washington planejava suspender a Espanha da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em retaliação à oposição do país europeu a uma guerra contra o Irã. Ambos os movimentos indicavam uma possível estratégia americana de usar questões geopolíticas para alinhar aliados em seus próprios conflitos estratégicos.
A disputa pelas Ilhas Malvinas remonta a quase 200 anos de reivindicações argentinas, exceto pelo período da Guerra das Malvinas, travada entre 2 de abril e 14 de junho de 1982. O conflito terminou com a vitória do Reino Unido, resultando na morte de 649 argentinos e 255 britânicos. Desde então, Londres rejeita qualquer pretensão argentina e defende o direito à autodeterminação dos cerca de 3.600 habitantes do arquipélago.
Diante desse cenário complexo e das recentes tensões geopolíticas, a reafirmação da neutralidade americana, apesar das pressões e rumores de bastidores, sinaliza a cautela de Washington em não desestabilizar ainda mais as relações com parceiros estratégicos, mesmo em meio a divergências sobre conflitos internacionais.


