O intrincado processo judicial que questiona o mandato do deputado Lucas de Lima (ex-PDT) ganhou novos e complexos desdobramentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS). A disputa, que se estende por meses e envolve acusações de infidelidade partidária, viu a primeira suplente, Glaucia Iunes, mudar de legenda, e o segundo suplente, Enelvo Felini, solicitar sua inclusão como novo interessado na cadeira que se encerra em dezembro de 2026.
A reviravolta mais recente ocorreu em 2 de abril de 2026, quando Glaucia Iunes se desfiliou do PDT para ingressar no Avante. Diante dessa movimentação, o deputado Lucas de Lima solicitou a extinção do processo, alegando a perda do objeto da ação. Contudo, a saída de Iunes abriu precedente para Enelvo Felini, ex-deputado estadual e vice-presidente do PDT no estado, que, como segundo suplente da legenda, pediu sua participação como terceiro interessado, sustentando ter ascendido na linha sucessória partidária.
Em resposta aos recentes fatos, o juiz Carlos Alberto Almeida de Oliveira Filho, do TRE-MS, solicitou que Glaucia Iunes se manifeste sobre a possível perda do objeto do processo devido à sua troca de partido. Paralelamente, o magistrado também pediu que Lucas de Lima se posicione sobre a entrada de Felini na causa, indicando que o caso segue ativo e em fase de novas análises.
A origem da controvérsia remonta à decisão de Lucas de Lima de deixar o PDT, alegando discriminação política, com a intenção inicial de se candidatar à prefeitura da Capital – plano que posteriormente foi abandonado. O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) havia autorizado sua desfiliação, permitindo que ele se filiasse ao Partido Liberal (PL).
No entanto, o PDT recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, por meio de uma decisão do ministro Antônio Carlos Ferreira, derrubou o ato do TRE-MS. Com a reversão, a filiação de Lucas ao PL tornou-se irregular, configurando infidelidade partidária e gerando o pedido de cassação de seu mandato. Imediatamente após a decisão do TSE, Lucas de Lima se desfiliou do PL.
Foi nesse cenário que Glaucia Iunes, então filiada ao PDT, ingressou com um pedido no TRE-MS para assumir a vaga de Lucas, argumentando que a cadeira pertence ao partido, e não ao parlamentar. Embora tenha solicitado tutela de urgência para garantir a representação do PDT, seu pleito não foi atendido. O juiz Carlos Alberto Almeida de Oliveira Filho decidiu sobrestar o processo, aguardando o julgamento definitivo de uma ação declaratória de existência de justa causa para desfiliação partidária (nº 0600086-40.2024.6.12.0000) no próprio TSE.
Este recurso principal, que definirá o futuro do mandato de Lucas de Lima, permanece em tramitação no TSE há vários meses. A última movimentação significativa registrada foi em dezembro de 2025, quando o ministro Nunes Marques pediu vistas do processo, paralisando sua análise e contribuindo para o prolongamento do imbróglio eleitoral.


