O Partido Novo de Mato Grosso do Sul intensifica sua estratégia para as eleições de 2026, com a decisão de lançar dois candidatos ao Senado. A medida promete complicar o cenário para os deputados federais Marcos Pollon (PL) e Capitão Contar (PL), que veem suas chances de disputar uma das duas vagas majoritárias diminuírem, tanto pela concorrência interna no PL quanto pela postura do Novo, que os acusa de “traição” política.
Contar e Pollon, que já foram cortejados pelo Novo para integrar suas fileiras, optaram por se filiar ao Partido Liberal. Capitão Contar fechou acordo direto com o diretório nacional do PL, enquanto Marcos Pollon, após conversas avançadas com o Novo, decidiu permanecer no PL influenciado por uma carta de Jair Bolsonaro (PL) escrita da prisão, que o indicava como um dos candidatos ao Senado. Com a janela partidária já encerrada, ambos estão agora presos ao PL, onde enfrentam um dilema: apenas um deles poderá concorrer, já que lideranças nacionais do partido asseguraram uma das vagas para Reinaldo Azambuja (PL), ex-adversário político da dupla.
A aliança de Contar e Pollon com o grupo atualmente no poder, liderado por Eduardo Riedel (PP) e Reinaldo Azambuja (PL), gera desconforto na ala mais radical do eleitorado bolsonarista, que se identifica com os deputados e criticava veementemente os atuais governistas. Ciente dessa divisão, o Partido Novo estuda lançar chapa completa, com dois nomes para o Senado, visando barrar uma possível “aliança branca” – um apoio velado a candidatos de outras legendas. Para o Novo, essa movimentação de Contar e Pollon em se aliar aos antigos rivais configura uma “traição”, o que solidifica a decisão de não deixar espaço para acordos informais.
O cenário se complica ainda mais com a pré-candidatura do deputado estadual João Henrique Catan (Novo) ao Governo do Estado. Catan, que foi um dos principais aliados de Capitão Contar em 2022, agora enfrenta Riedel e Azambuja sem o apoio do ex-parceiro, que se realinhou com os antigos adversários. Caso Catan consiga atrair os votos da direita mais radical, desiludida com as alianças de Contar e Pollon, ele poderá impactar a corrida não apenas para o governo, mas também para o Senado, favorecendo outros nomes como o próprio Reinaldo Azambuja, Nelsinho Trad (PSD), Vander Loubet (PT) e Soraya Thronicke (PSB). O Partido Novo já tem o empresário Roberto Oshiro como pré-candidato ao Senado, e, segundo o presidente estadual, Guto Scarpanti, outros dois nomes demonstram interesse em preencher as duas vagas que a legenda pretende disputar.


