Teerã – O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu uma rara declaração nesta quinta-feira (30), afirmando que os Estados Unidos não terão lugar no futuro do Golfo Pérsico. Khamenei também deixou claro que o regime iraniano planeja administrar o Estreito de Ormuz após o atual conflito.
Em uma mensagem desafiadora, Khamenei prometeu que o Irã manterá seu programa nuclear e sua capacidade de produção de mísseis. A declaração do líder iraniano, que não é visto em público desde que assumiu o comando da teocracia há quase dois meses, foi divulgada por seu gabinete.
O texto abordou duas questões centrais que têm paralisado as negociações com os EUA: as ambições nucleares iranianas e o controle da passagem pelo Estreito de Ormuz. O governo americano busca restringir o programa nuclear do Irã e insiste que o país não pode limitar o acesso à rota marítima.
“Pela vontade e poder de Deus, o futuro brilhante do Golfo Pérsico será um futuro sem os EUA”, declarou o comunicado, divulgado no Dia Nacional do Golfo Pérsico do Irã. Esta data comemora anualmente a vitória militar iraniana sobre Portugal em 1622, no Estreito de Ormuz.
Referindo-se à disputa pelo estreito, uma das rotas marítimas mais importantes para o petróleo global, o comunicado de Khamenei enfatizou o futuro do Golfo Pérsico sem influência americana. “Estrangeiros que vêm de milhares de quilômetros de distância, agindo maliciosamente por ganância, não têm lugar ali, exceto no fundo de suas águas”, afirmou.
O comunicado também indicou que o Irã implementará “novos marcos legais e gestão do Estreito de Ormuz”, sugerindo que o país não pretende abrir mão do controle da rota. No fim de semana, o regime apresentou uma proposta para reabrir o estreito, plano que foi rejeitado por Trump, que alegou que a proposta impunha pedágio aos petroleiros.
Países árabes do Golfo Pérsico, incluindo Omã, também se opuseram à ideia. As negociações para o fim da guerra chegaram a um impasse. Trump expressou insatisfação com a última proposta do Irã, que teria reaberto o estreito sem abordar as questões sobre seu programa nuclear.
Ambos os lados têm implementado um bloqueio duplo em Ormuz, rota por onde transita um quinto do suprimento mundial de petróleo. A situação elevou os preços e impactou profundamente a economia do Irã, com o rial, moeda nacional, atingindo novas mínimas em relação ao dólar nesta semana.
A declaração de Khamenei incluiu as capacidades nucleares e de mísseis do Irã em uma lista de “ativos nacionais” que devem ser protegidos pelos iranianos, “assim como protegeriam suas fronteiras terrestres, marítimas e aéreas”.
Khamenei utilizou referências ao Dia Nacional do Golfo Pérsico para reforçar o significado político da data para os governantes religiosos autoritários do Irã. Nas redes sociais, o aiatolá e outros líderes usaram a data para associar o controle atual da rota a uma longa história de batalhas contra potências coloniais pelo estreito.
A tensão em torno do Estreito de Ormuz é um ponto crítico nas relações internacionais e na segurança energética global. A política externa dos EUA na região e as ambições nucleares do Irã são temas recorrentes nas discussões diplomáticas.
A notícia sobre Trump ter renomeado o Estreito de Ormuz em uma imagem de IA reflete o contexto de tensões na região, enquanto o Irã busca reafirmar seu controle sobre a importante via marítima.
O acordo bilateral entre Petrobras e Pemex, buscado por Sheinbaum, também demonstra a dinâmica geopolítica e econômica no setor de energia, impactando rotas e parcerias internacionais.


