Campo Grande, 01 de maio de 2026 – Seis anos após acionar a Polícia Federal para investigar um suposto desvio de R$ 2,3 milhões em verbas destinadas à compra de cestas básicas durante a pandemia de COVID-19, o cenário político sul-mato-grossense apresenta uma reviravolta notável. O então deputado estadual Capitão Contar (PL), que na época se posicionou como fiscalizador implacável, agora divide o palanque com membros do grupo político que ele próprio acusava de irregularidades. Paralelamente, a esfera judicial avança com uma decisão que mantém o bloqueio de bens das empresas envolvidas no caso, conhecido como “Escândalo das Cestas Básicas”.
Em 2020, a denúncia apontava para uma simulação de compra emergencial de alimentos para famílias vulneráveis, caracterizando um esquema de fraude milionária. A Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (SEDHAST) teria contratado a empresa Tavares & Soares Ltda. por R$ 5,8 milhões para o fornecimento de 60 mil cestas. Documentos da Ação Civil Pública, movida pelo Ministério Público do Estado (MPMS), revelam que a concorrência teria sido fabricada, com propostas de empresas “concorrentes” geradas no mesmo computador em um intervalo de 30 minutos, evidenciando um “amadorismo que beira o escárnio”. Um erro de digitação comum em todas as propostas forjadas – a palavra “ROPOSTA DE PREÇO” – selou a prova material da fraude. O sobrepreço de 60% por cesta básica resultou no desvio de R$ 2,3 milhões dos cofres públicos.


