A Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, efetuava pagamentos mensais de R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). As revelações integram a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026.
Documentos da PF indicam que os repasses, iniciados em R$ 300 mil, evoluíram para R$ 500 mil. As transações financeiras eram intermediadas por uma rede de empresas ligadas à família de Vorcaro e por companhias geridas por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador. A PF alega que o objetivo dos pagamentos era assegurar a atuação de Ciro Nogueira em matérias legislativas em benefício do Banco Master.
A investigação aponta que o senador apresentou a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, que propunha a elevação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto da emenda, segundo os investigadores, foi elaborado pela assessoria do banco e entregue ao senador.
O inquérito também detalha a aquisição de participação societária por uma empresa do irmão do parlamentar. A fatia, adquirida por R$ 1 milhão, teria um valor de mercado aproximado de R$ 13 milhões na época. Registros de despesas pessoais, custeio de viagens internacionais e a disponibilização de um imóvel de Vorcaro para o senador também foram citados.
Em sua defesa, Ciro Nogueira negou irregularidades, afirmando não ter participado de atividades ilícitas. Seus advogados criticaram as medidas da operação, classificando-as como graves e baseadas em trocas de mensagens de terceiros.
A Jovem Pan não obteve contato com as defesas de Felipe Cançado Vorcaro, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, Green Investimentos e Green Energia Fundo de Investimentos.
A quinta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Piauí e Distrito Federal. Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro e apontado como operador financeiro, foi preso temporariamente. Raimundo Neto e Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho também foram alvos de busca.
A Justiça determinou medidas cautelares, incluindo a proibição de contato entre os investigados e a suspensão das atividades econômicas de quatro empresas, como a Green Investimentos e a Green Energia Fundo de Investimento em Participações. A operação investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O Banco Master encontra-se em regime de liquidação extrajudicial desde novembro de 2025.
A Operação Compliance Zero investiga um esquema financeiro que envolve o Banco Master e mira diretamente o senador Ciro Nogueira. Paralelamente, o cenário político em Mato Grosso do Sul é agitado por três novas pesquisas eleitorais em maio de 2026, que podem influenciar a corrida por vagas no Senado em 2026, tema que já gerou desculpas entre colegas de partido.


