O presidente da China, Xi Jinping, advertiu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (14/05/2026), que qualquer deslize na questão de Taiwan pode precipitar um “conflito” entre as duas nações. A declaração ocorreu durante o esperado encontro entre os líderes das superpotências em Pequim.
Trump, em sua primeira visita à China em quase uma década, foi recebido com honras de Estado, incluindo tapete vermelho, fanfarra militar e salva de 21 tiros. Visivelmente satisfeito com a recepção, o presidente americano elogiou Xi Jinping como um “grande líder” e “amigo”, projetando um “futuro fantástico” para as relações bilaterais.
Contudo, em conversas a portas fechadas, Xi Jinping apresentou uma postura mais contundente. O líder chinês enfatizou a necessidade de cooperação em vez de rivalidade e posicionou a questão de Taiwan — que Pequim reivindica como território próprio — como o ponto central do debate. “A questão de Taiwan é a mais importante nas relações bilaterais”, declarou Xi, conforme divulgado pela mídia estatal chinesa. “Se mal administrada, pode levar as duas nações a colidirem ou até mesmo entrarem em conflito, colocando toda a relação China-EUA em uma situação extremamente perigosa”, alertou, durante reunião que se estendeu por mais de duas horas.
O pronunciamento de Xi Jinping contrasta com anos de tensões comerciais e geopolíticas entre os dois países. Referindo-se à “Armadilha de Tucídides”, teoria que discute os perigos da ascensão de uma nova potência em detrimento de uma estabelecida, Xi questionou: “Podem China e Estados Unidos transcender a chamada ‘Armadilha de Tucídides’ e forjar um novo paradigma? A cooperação beneficia ambos, enquanto o confronto prejudica os dois”. Desde a visita de Trump à China em 2017, Washington e Pequim têm se envolvido em uma guerra comercial e divergido em diversas pautas globais.
Taiwan permanece como o principal foco de discórdia. Embora os Estados Unidos reconheçam diplomaticamente a República Popular da China, a legislação americana exige o fornecimento de armamento para a defesa da ilha autogovernada. A China, que não descarta o uso da força para reunificação, tem intensificado sua pressão militar na região.
Em resposta às declarações de Xi, o governo de Taipei classificou a China como o “único risco” à paz regional e reiterou o apoio histórico dos EUA à ilha. Anteriormente, em 11 de maio de 2026, Trump indicou que discutiria a venda de armas a Taiwan com Xi, um movimento que diverge da prática de Washington de não consultar Pequim sobre o assunto. A Casa Branca descreveu as conversas iniciais como “boas”, sem menções específicas a Taiwan em seu comunicado oficial.
Analistas interpretam a fala de Xi Jinping como um movimento estratégico. Adam Ni, editor do boletim China Neican, considera a “linguagem direta” comum na política externa chinesa, mas incomum vinda do próprio presidente. Chong Ja Ian, da Universidade Nacional de Singapura, sugere que a exigência chinesa pode indicar uma “oportunidade de convencer Trump” a firmar novos compromissos sobre a região.
Além das tensões em relação a Taiwan, o encontro também abordou a guerra no Irã, tema que analistas apontam como um ponto de divergência considerável entre as potências.
A visita de Trump à China ocorre em um contexto de tensões globais e preparação para as eleições de 2026. O presidente americano, que recentemente publicou uma imagem de nota de US$ 100 com seu rosto, também iniciou sua visita de estado com uma comitiva de peso, incluindo figuras como Elon Musk, Tim Cook e Jensen Huang, para debater a guerra no Oriente Médio e tarifas comerciais. A visita de Trump à China também foi precedida por um encontro com o presidente brasileiro Lula, que foi visto como positivo para ambos os países, segundo pesquisa Genial/Quaest.
Neste cenário geopolítico complexo, o escândalo do Banco Master, envolvendo supostos acordos de financiamento de filme entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, também repercute no Brasil, com pedidos de CPI e até de prisão de Flávio Bolsonaro por parte de alguns parlamentares. O próprio Flávio Bolsonaro defende contato com o dono do Banco Master e pede a instalação de uma CPI para investigar o caso.


