O senador Carlos Viana protocolou no Congresso Nacional o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master. A solicitação visa apurar “possíveis esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro, operações financeiras suspeitas e eventuais relações políticas ligadas ao caso”, conforme declarou o senador.
O pedido ocorre em sequência a novas fases da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Esta operação resultou em prisões e bloqueios financeiros bilionários, além de aprofundar as investigações sobre o banco. Segundo Viana, os desdobramentos recentes exigem uma “resposta imediata do Congresso”. Ele acrescentou: “O Brasil merece transparência total. Quem não deve, não teme investigação”.
A manifestação do senador Viana coincide com a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de mensagens que indicam um suposto acordo de financiamento para o filme “Dark Horse”, que aborda a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. As mensagens revelam trocas entre o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Nelas, Bolsonaro supostamente solicita 24 milhões de dólares (aproximadamente R$ 134 milhões à época) ao banqueiro para a produção cinematográfica.
Os documentos apresentados indicam que, entre fevereiro e maio de 2025, cerca de 10 milhões de dólares foram pagos em seis parcelas para financiar o projeto. A negociação teria envolvido diretamente Flávio Bolsonaro, com a participação de outros intermediários como Eduardo Bolsonaro e Mario Frias, ambos filiados ao PL de São Paulo. Diálogos datados de setembro de 2025, divulgados pelo Intercept, apontam para contatos diretos e encontros presenciais entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro em São Paulo.
Este caso se insere em um contexto de crescente atenção a investigações financeiras e políticas. O escândalo do Banco Master já afeta a imagem da classe política e institucional, conforme aponta pesquisa. Paralelamente, o cenário político para as eleições de 2026 continua em ebulição, com pesquisas indicando um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, e o TSE se preparando para o pleito sob a nova presidência de Kassio Nunes Marques.


