A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um apelo global para que os governos implementem regulamentações abrangentes sobre sachês de nicotina. A medida surge em resposta ao crescimento exponencial deste mercado, que registrou vendas de mais de 23 bilhões de unidades em 2026, um aumento superior a 50% em relação ao ano anterior.
“O uso de sachês de nicotina está se espalhando rapidamente, enquanto a regulamentação tem dificuldade em acompanhar o ritmo. Os governos devem agir imediatamente com medidas de proteção sólidas e baseadas em evidências”, declarou Vinayak Prasad, chefe da Unidade da Iniciativa Livre do Tabaco da OMS, em coletiva de imprensa.
Em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, a OMS recomenda aos governos a proibição de sabores em sachês de nicotina, bem como de publicidade, promoção e patrocínio, incluindo o uso de redes sociais e influenciadores. A organização também defende o reforço de sistemas de verificação de idade e o controle rigoroso da venda no varejo.
A OMS propõe ainda a adoção de advertências sanitárias claras, embalagens neutras, a limitação do teor de nicotina e a aplicação de impostos para reduzir a acessibilidade e dissuadir o consumo, especialmente entre a população jovem. O relatório “Revelando as táticas e estratégias de marketing que impulsionam o crescimento global dos sachês de nicotina” alerta para a comercialização agressiva destes produtos entre adolescentes e jovens.
Os sachês de nicotina são pequenos envelopes inseridos entre a gengiva e o lábio, liberando nicotina através da mucosa bucal. Geralmente contêm nicotina, aromatizantes, adoçantes e outros aditivos. O mercado mundial desses produtos atingiu aproximadamente 6 bilhões de euros em 2025.
A nicotina é reconhecida como substância altamente viciante e prejudicial, com efeitos particularmente severos em cérebros em desenvolvimento. “A exposição à nicotina durante a adolescência pode interferir no desenvolvimento cerebral, com possíveis efeitos sobre a atenção, a memória e a aprendizagem. Além disso, o consumo precoce aumenta a probabilidade de desenvolver dependência a longo prazo e de iniciar posteriormente o uso de outros produtos de nicotina e tabaco”, explicou Prasad, acrescentando que a nicotina está associada a um maior risco cardiovascular.
Ranti Fayokun, representante da OMS, destacou a Espanha como um mercado relevante para os sachês de nicotina. “Muitos países europeus representam mercados muito importantes para esses produtos e, atualmente, estima-se que na Espanha sejam vendidas cerca de cinco milhões de latas, um volume que poderia aumentar para oito milhões”, alertou.
Na Espanha, um anteprojeto de lei foi aprovado em 2025 para alterar a Lei 28/2005, visando reforçar a proteção da saúde pública e adaptar a regulamentação aos novos padrões de consumo e à evolução do mercado de produtos relacionados à nicotina. A falha do governo brasileiro em um ataque hacker financeiro na Espanha ressalta a necessidade de vigilância em regulamentações tecnológicas e de saúde.
O cenário político brasileiro também reflete preocupações com a regulamentação e investigações. O STF abriu novo processo para investigar emendas destinadas a filme sobre Bolsonaro, e as disputas pelo Senado e Presidência movimentam o cenário político, indicando um período de intensas discussões sobre políticas públicas.


