Documentos revelados pelo site Intercept Brasil nesta sexta-feira (15/05/2026) apontam que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) possuía responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do filme biográfico “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um contrato assinado pelo próprio Eduardo Bolsonaro em novembro de 2023 formaliza sua atuação.
Além do contrato, o Intercept Brasil divulgou diálogos trocados no final de março de 2025 entre Eduardo Bolsonaro, o empresário Thiago Miranda (sócio do Portal Leo Dias) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Thiago Miranda atuou como intermediário nas conversas entre Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e Vorcaro.
Nas mensagens, Eduardo Bolsonaro discute a logística de transferência de recursos para os Estados Unidos, onde ele anunciou que se licenciaria do mandato para buscar “devidas sanções aos violadores de direitos humanos”. Ele sugere que “o ideal seria haver os recursos já nos EUA”, pois o envio de uma empresa brasileira para os EUA sem um “grande orçamento” seria “problemático”, demandando remessas graduais que levariam cerca de seis meses. O ex-deputado propõe, ainda, enviar o “máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc.”.
Um documento de fevereiro de 2024, embora sem confirmação de assinatura, qualifica Eduardo Bolsonaro como financiador do filme e autoriza o uso de recursos investidos por ele no projeto.
Eduardo Bolsonaro negou na quinta-feira (14/05/2026) ter recebido recursos de Daniel Vorcaro via fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, classificado como uma “tentativa de assassinato de reputação” com uma “história tosca”. O ex-parlamentar compartilhou uma notícia da Folha de S. Paulo que indicava suspeitas da Polícia Federal (PF) sobre o uso de recursos ligados ao banqueiro para custear suas despesas nos EUA.
A reportagem do Intercept Brasil também mencionou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à presidência, trocou mensagens com Vorcaro. O dono do Banco Master teria feito repasses ao Havengate Development Fund LP, por meio da Entre Investigações e Participações, fundo ligado à produção de “Dark Horse”. O escritório de advocacia de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, é o agente legal do Havengate Development Fund LP.
Em sua defesa, Eduardo Bolsonaro afirmou que o escritório de Calixto gerencia a “gestão burocrática, financeira e legal dos recursos” do filme e que ele apresentou o advogado a Mário Frias, deputado federal e produtor executivo do longa.
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