O governo federal protocolou o pedido para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com o objetivo de investigar o financiamento e a produção do filme “Dark Horse”, que retrata a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A iniciativa, endossada por diversos parlamentares, foi formalizada nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) expressou, em vídeo, a expectativa de que o senador Flávio Bolsonaro assine o requerimento para a instauração da comissão.
O documento da CPMI detalha que a comissão se dedicará a “investigar possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento e produção da obra cinematográfica ‘Dark Horse’, da produtora ‘GOUP Enterteinment'”. Correia declarou que o pedido está à disposição no Congresso Nacional e desafiou Flávio Bolsonaro a assinar a solicitação. “Eu quero ver se Flávio Bolsonaro vai assinar. Ele que diz que foi tudo normal, não há nenhum rolo, nenhum problema, então assine a CPMI e vamos investigar”, afirmou o deputado.
A investigação busca esclarecer o destino de fundos do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo troca de mensagens divulgada entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro, os recursos teriam sido destinados à produção do longa-metragem a pedido do senador, que é pré-candidato à presidência em 2026. O deputado Correia também levantou a questão sobre o possível acesso do irmão de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, aos fundos, o que foi negado por Eduardo Bolsonaro na quinta-feira (14).
Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025 ao tentar fugir do país, trocou mensagens com Flávio Bolsonaro antes de sua detenção. As comunicações, divulgadas pelo site Intercept Brasil na quarta-feira (13), indicam um acordo para o repasse de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época) para o filme, com previsão de lançamento para 11 de setembro de 2026. Documentos apontam que cerca de US$ 10 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025.
O envolvimento do banqueiro no financiamento do filme teria sido negociado diretamente com Flávio Bolsonaro, com a participação de intermediários como Eduardo Bolsonaro e Mário Frias, ambos do PL de São Paulo. Diálogos em setembro de 2025 revelam contatos diretos entre Flávio e Vorcaro, incluindo encontros presenciais em São Paulo. Em outubro, a discussão sobre a produção do filme avançou, com menções a um encontro na residência do banqueiro, na presença do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh, agendado para 2 de novembro. A tentativa de venda do Banco Master para o Banco de Brasília ocorreu no mesmo período do financiamento do filme.
Ao longo do segundo semestre de 2025, a pressão financeira sobre Vorcaro se intensificou, levando a uma maior interação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro. Em 7 de novembro, Flávio enviou um vídeo de visualização única a Vorcaro, afirmando que o financiamento do filme era possível graças a ele. Em entrevista à Globonews na quinta-feira (14), o senador Flávio Bolsonaro declarou que “todo dinheiro arrecadado foi integralmente utilizado para o filme” e não foi destinado a Eduardo Bolsonaro. Ele também mencionou ter assinado um termo de confidencialidade, o que o impediria de comentar detalhes adicionais sobre o assunto.
O STF abriu um novo processo para investigar emendas destinadas a um filme sobre Bolsonaro, o que pode ter conexões com as investigações em curso. Além disso, o deputado Mário Frias admitiu recebimento de fundos do Banco Master para o filme, indicando uma rede de envolvidos.


