A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência pelo Novo, Romeu Zema, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A acusação é de calúnia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.
A denúncia, apresentada na sexta-feira (15), refere-se a vídeos compartilhados por Zema em suas redes sociais, na série intitulada “Os Intocáveis”, que critica figuras públicas. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou em sua decisão que “o denunciado utilizou perfis públicos associados à sua projeção institucional e política para intervir em debate de repercussão nacional, relacionado a ato jurisdicional atribuído a Ministro do Supremo Tribunal Federal”. Gonet acrescentou que “a conduta insere-se, assim, no campo de atuação pública do então Governador, afastando-se da esfera estritamente privada”.
Paulo Gonet fixou um valor mínimo de reparação por danos morais em “montante equivalente a 100 salários-mínimos”, que na data de hoje, 15 de maio de 2026, totaliza R$ 220.000,00. Segundo a decisão, essa quantia é um “parâmetro compatível com a “gravidade da imputação caluniosa, a extensão da divulgação e a repercussão pública da ofensa”.
Os vídeos em questão fazem críticas a figuras consideradas “poderosas do Brasil”. Em nota, Zema declarou: “Os intocáveis não aceitam críticas. Os intocáveis não aceitam o humor. Os intocáveis não querem prestar contas de seus atos. Os intocáveis se julgam acima dos demais brasileiros. Não vou recuar um milímetro”.
Em 25 de abril de 2026, Zema compartilhou o quinto episódio da série. O vídeo retrata uma ligação entre ministros do STF, onde Gilmar Mendes supostamente pede a Alexandre de Moraes que inclua o ex-governador mineiro no inquérito das fake news. O conteúdo também relembra declarações de Gilmar Mendes sobre o sotaque de Zema. O vídeo ironiza: “Tira do ar (a série ‘Os Intocáveis’) e prende esse Chico Bento mineiro”.
O atrito entre Zema e Gilmar Mendes intensificou-se em 1º de março de 2026, quando o ex-governador mineiro publicou um vídeo de sátira retratando o magistrado pedindo uma troca de favores a Dias Toffoli em meio ao escândalo do Banco Master. Após as publicações, Gilmar Mendes enviou uma representação ao ministro Alexandre de Moraes pedindo a investigação de Zema, apontando indícios de crime.
Um dia após a representação de Mendes, no feriado da Inconfidência Mineira, Zema criticou o STF em outra publicação, comparando os ministros e o presidente Lula à coroa portuguesa. “Você acha que nós somos livres de verdade? Eu acho que não. No lugar da Coroa Portuguesa, se sentaram os intocáveis de Brasília. Os políticos vendidos, os empresários ladrões e os juízes que se acham acima do bem e do mal”, disse em trecho da publicação.
A representação que faz alusão à Inconfidência Mineira incluiu imagens geradas por inteligência artificial com os rostos dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além de Lula. O STF tem sido alvo de investigações e debates sobre o uso de emendas parlamentares, como no caso de filmes biográficos sobre Bolsonaro, onde o deputado Mário Frias admitiu o recebimento de fundos do Banco Master. A abertura de novo processo pelo STF para investigar emendas destinadas a filme sobre Bolsonaro demonstra um cenário de escrutínio sobre o uso de recursos públicos.
A situação política em 2026 também é marcada por disputas eleitorais e debates sobre o cenário político, com figuras como Tebet e Cristina em foco, e pesquisas indicando a liderança de Eduardo Riedel em um potencial cenário eleitoral. A repercussão de escândalos financeiros, como o caso do Banco Master, e investigações sobre corrupção, como a Operação “Buraco Sem Fim”, que revelou um esquema de corrupção com contratos de R$ 113 milhões, também moldam o ambiente político e jurídico.


