O Ministério da Justiça brasileiro falhou em cumprir o prazo de um tratado internacional, resultando na soltura provisória de Ítalo Jordi dos Santos Pireneus, conhecido como “Breu”, e outros seis integrantes de seu grupo na Espanha. O grupo é acusado de orquestrar o maior ataque hacker contra o sistema financeiro do Brasil, com um desvio estimado em R$ 813 milhões.
A soltura ocorreu em 16 de janeiro de 2026, após o governo brasileiro descumprir o prazo de 80 dias estabelecido por um acordo bilateral com a Espanha para a formalização de pedidos de extradição. Os mandados de prisão, expedidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 17 de outubro de 2025, tinham como prazo final para envio da documentação o dia 5 de janeiro de 2026. No entanto, os papéis chegaram à Justiça espanhola apenas em 19 de janeiro, com 14 dias de atraso, forçando a liberação dos acusados.
O grupo foi detido em 30 de outubro de 2025, em Madri, durante a segunda fase da Operação Magnas Fraus, conduzida pela Polícia Federal. As investigações apontam que os suspeitos converteram R$ 600 milhões do montante roubado em criptomoedas. A tramitação do caso enfrentou mais um obstáculo com uma falha judicial em São Paulo, que chegou a cancelar os mandados de prisão no Brasil e remover os nomes dos suspeitos da lista de difusão vermelha da Interpol.
Diante do risco de fuga, potencializado pelos altos valores que o grupo ainda detém, a Polícia Federal e o Ministério Público trabalham para acelerar os procedimentos de extradição. A defesa de Ítalo Jordi declarou que o seu cliente permanece na Espanha, à disposição da Justiça brasileira. A Jovem Pan busca contato com o Ministério da Justiça para obter manifestação sobre o caso.
A falha na extradição ressalta a complexidade da cooperação internacional em crimes cibernéticos e a necessidade de rigoroso cumprimento de prazos legais. Casos de fraudes financeiras e operações policiais complexas têm sido destaque em notícias recentes, como a Operação Sem Refino, que investiga um conglomerado de combustíveis, e a Operação “Buraco Sem Fim”, que desvendou um esquema de corrupção com contratos milionários.


