Cuba advertiu Washington sobre um “banho de sangue” caso os Estados Unidos invadam a ilha. A declaração ocorreu na segunda-feira, 18 de maio de 2026, no mesmo dia em que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções à principal agência de inteligência cubana e a vários de seus dirigentes, intensificando as tensões bilaterais.
Sanções e Reação Cubana
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reivindicou o direito da ilha de se defender. Sua manifestação veio um dia após o site de notícias americano Axios reportar, em 17 de maio de 2026, que Havana adquiriu mais de 300 drones militares da Rússia e do Irã. A reportagem, baseada em informações de inteligência classificadas, indicou que Cuba avaliava usar os drones contra uma base norte-americana na Baía de Guantánamo e outros alvos.
Em uma mensagem publicada no X, Díaz-Canel afirmou, sem mencionar os drones diretamente, que Cuba possui “o direito absoluto e legítimo de se defender de uma ofensiva bélica”. Ele acrescentou que isso “não pode ser usado lógica nem honestamente como desculpa para impor uma guerra contra o nobre povo cubano”. O mandatário cubano considerou ainda que uma intervenção militar contra a ilha “provocará um banho de sangue de consequências incalculáveis”.
Acusações Mútuas e Contexto de Segurança
A informação sobre os drones surgiu em meio a especulações crescentes de que o governo do presidente Donald Trump avalia uma ação militar para derrubar a gestão comunista de Cuba. A reportagem do Axios sugeriu que navios militares norte-americanos e até mesmo o estado da Flórida poderiam ser alvos de ataques com drones. Um funcionário norte-americano, sob condição de anonimato, apresentou o cenário como prova da “crescente ameaça” que Cuba representa para os Estados Unidos.
Em Nova York, o embaixador cubano na Organização das Nações Unidas (ONU), Ernesto Soberón, classificou a hipótese de um ataque cubano contra os Estados Unidos como algo que “não faz nenhum sentido”. Soberón acusou Washington de “fabricar um pretexto” para “justificar” uma eventual ação militar contra a ilha. O diplomata, contudo, recusou-se a responder perguntas sobre a existência de drones militares em posse de Cuba. A tensão com o Irã, fornecedor de drones, também é um ponto de atrito na política externa americana. Donald Trump já adiou ataques ao Irã, buscando progresso em negociações, o que demonstra a complexidade das relações na região.
Sanções Adicionais e Pressão Americana
Na segunda-feira, 18 de maio de 2026, Washington intensificou a pressão sobre Havana ao anunciar sanções contra sua agência de inteligência e nove cidadãos cubanos. A lista inclui os ministros das Comunicações, Energia e Justiça, além de altos funcionários do governista Partido Comunista (PCC) e pelo menos três generais. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro emitiu o comunicado.
O presidente Trump considera Cuba, localizada a 150 quilômetros da costa da Flórida, uma “ameaça excepcional” para a segurança nacional dos Estados Unidos. Ele já fez repetidas ameaças de “tomar o controle” de Cuba, chegando a sugerir o envio de um porta-aviões. A relação entre Trump e outros líderes, como o presidente Lula, também é vista como um fator que poderia evitar sanções e atrair investimentos, embora neste caso a situação seja de confronto direto.
Após a derrubada do ex-presidente Nicolás Maduro na Venezuela, principal aliado de Cuba na América Latina, Washington interrompeu o fornecimento de petróleo venezuelano para a ilha e ameaça com sanções qualquer país que lhe venda combustível. Cuba, sob embargo dos Estados Unidos desde 1962, recebeu apenas um navio-tanque russo desde o fim de janeiro de 2026.


