O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu nesta terça-feira (19/05/2026) a divulgação e o registro de uma pesquisa realizada pela AtlasIntel. A decisão atendeu a um pedido de impugnação do Partido Liberal (PL), que alegou parcialidade na sondagem envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) na disputa eleitoral de 2026.
O PL protocolou a solicitação na segunda-feira (18/05/2026), argumentando que o questionário da pesquisa foi “sequencialmente arquitetado” para prejudicar o filho do ex-presidente. A legenda obteve uma liminar urgente para suspender os resultados.
Alegação de Indução e Propaganda Negativa
O partido sustenta que, das 48 perguntas do questionário, pelo menos oito induzem o entrevistado sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o Banco Master. O documento do PL afirma que essa estrutura “não mede opinião, produz contexto” e transforma a pesquisa em “meio indireto de propaganda negativa”.
O PL citou literatura científica e jurisprudência do TSE e de Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) para reforçar que a ordem das perguntas pode alterar os resultados em até 20 pontos percentuais. A pesquisa havia mostrado Lula (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL) em cenários para a eleição presidencial de 2026.
Além da suspensão imediata da divulgação, com multa diária em caso de descumprimento, o partido também requer a proibição de novas pesquisas com o mesmo questionário e a investigação sobre a metodologia aplicada, visto que maioria dos entrevistados já via envolvimento direto de Flávio Bolsonaro no caso Banco Master.
Defesa da AtlasIntel
Procurada pela Jovem Pan, a assessoria da AtlasIntel defendeu a integridade de sua metodologia. A empresa afirmou que o teste de áudio, envolvendo gravações de conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, foi realizado apenas após a conclusão e submissão do questionário pelo entrevistado.
“Por isso, não há qualquer impacto nos resultados da pesquisa. Durante o questionário, perguntamos se o respondente teve conhecimento sobre o caso e se já havia ouvido o áudio por conta própria, e não reproduzimos o conteúdo em nenhum momento”, alegou a AtlasIntel.
A empresa reforçou que o teste do áudio, feito em “momentos e interfaces completamente separadas após a conclusão do questionário”, busca “medir segundo a segundo a reação de uma amostra representativa da população a conteúdos audiovisuais, com segmentação demográfica”. A AtlasIntel garantiu que “todo o desenho do questionário e da dinâmica foi feito com todo rigor técnico e metodológico que caracterizam o trabalho da AtlasIntel a nível internacional, sempre prezando pela imparcialidade e qualidade dos dados”.


