Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário desafiador com a disparada do preço do Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP 50/70). Em abril de 2026, o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Sul do Brasil (Conisul) confirmou um novo reajuste de 17%, elevando o custo da tonelada para R$ 5.464,32. Este aumento recente soma-se a elevações anteriores, totalizando uma alta acumulada de 38% — de R$ 4.654,16 para R$ 5.464,32 — e atinge diretamente as empresas de construção pesada do estado.
A escalada dos custos é atribuída à inflação do petróleo, intensificada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactaram o mercado global no primeiro trimestre de 2026. Este cenário crítico afeta diretamente o Mato Grosso do Sul, que possui mais de R$ 1,17 bilhão em obras sob gestão da Agesul e um portfólio total de quase R$ 3 bilhões em execução. Com o CAP representando até 70% do custo em contratos de pavimentação, o reajuste de 38% pode gerar um intervalo de reequilíbrio de até R$ 400 milhões, ameaçando a continuidade de projetos estratégicos.
Financiamentos substanciais, como um empréstimo de R$ 2,3 bilhões junto ao BNDES, a expectativa por US$ 280 milhões em crédito externo do Banco Mundial e R$ 950 milhões do Banco do Brasil, foram calculados com base em planilhas de custo pré-choque. Especialistas do setor classificam a situação como um “fato superveniente extraordinário”, um conceito jurídico que embasa a necessidade de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos. A não adequação dos valores pode levar à interrupção de obras essenciais, transformando investimentos em problemas para a infraestrutura do estado.
A situação em Mato Grosso do Sul reflete uma crise mais ampla no setor. No Ceará, por exemplo, reajustes do CAP em abril (22,45%) e maio (16,38%) já deixaram 26 obras estaduais em “alerta vermelho”. Além do asfalto, outros insumos como diesel, cimento, aço e tintas de sinalização também registraram aumentos, intensificando a pressão. “O reajuste do CAP não é uma surpresa de mercado ordinária. É um choque causado por evento geopolítico imprevisível, que se enquadra como hipótese de reequilíbrio”, afirma um economista do setor, reforçando a urgência de uma solução para evitar a paralisação de projetos e o comprometimento da infraestrutura rodoviária do estado.


