O chefe do exército do Paquistão, general Asim Munir, chegou a Teerã nesta sexta-feira (22), em um movimento que ressalta a intensificação dos esforços diplomáticos para desescalar o conflito no Oriente Médio. Sua visita ocorre no momento em que o Irã analisa uma nova proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos, em um cenário de profundas divisões e ameaças latentes de retomada da guerra. Apesar do otimismo cauteloso de Washington, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, alertou que a chegada de Munir, cujo país tem sido um mediador ativo, não sinaliza um “ponto de inflexão ou uma situação decisiva” nas negociações.
A chegada de Munir à capital iraniana, onde foi recebido pelo ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, e pelo ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi – que já havia visitado Teerã na quarta-feira (20) para encontros com o presidente Masoud Pezeshkian e o chanceler Abbas Araghchi –, reforça o papel central de Islamabad na busca por uma solução. O Paquistão sediou em abril de 2026 as únicas negociações diretas entre autoridades americanas e iranianas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos contra o Irã. Munir teve um papel crucial nessas aproximações iniciais, que, contudo, não resultaram em um acordo duradouro.
Desde o cessar-fogo de 8 de abril de 2026, as partes têm trocado propostas, mas as divergências, classificadas por Baqaei como “profundas e extensas”, persistem. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, expressou esperança de avanços, mas o presidente Donald Trump alertou que os diálogos estão “no limite” entre um acordo e a possibilidade de novos ataques. A visita do general paquistanês sublinha a urgência de uma solução diplomática, enquanto a comunidade internacional observa com apreensão os próximos passos nesta delicada balança de poder e negociações.


