O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, defendeu neste sábado (23) a instituição em meio a crescentes suspeitas de repasses financeiros do Banco Master a familiares de magistrados. Em Guarujá (SP), Barroso pediu que “condutas individuais não contaminem” a imagem da Corte, reconhecendo a existência de um “conjunto de fatos” que gerou uma percepção pública negativa sobre o tribunal.
As declarações foram feitas após sua participação em um painel do Fórum Esfera 2026. Barroso, contudo, afirmou não ter conhecimento de qualquer decisão do STF que tenha favorecido o Banco Master. As suspeitas focam em transações que supostamente beneficiaram parentes de ministros do Supremo, incluindo um montante de R$ 80 milhões ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes e R$ 6,6 milhões ligados a cotas de resort dos irmãos de Dias Toffoli.
“É preciso não prejulgar e esperar que as investigações terminem”, declarou o ex-ministro em coletiva de imprensa. Ele enfatizou a necessidade de “fazer uma distinção entre o juízo que alguém faça sobre ministros individualmente e o papel institucional do Supremo”, argumentando que as revelações não abalaram a função essencial do Judiciário.
Barroso reiterou que o tribunal continua a tomar decisões importantes com transparência e fundamentação, e que “episódios pontuais” não devem desmerecer a relevância da Corte para o país. “Tem alguma decisão do Supremo favorecendo o Banco Master? Não que eu saiba. Tanto quanto eu possa ver, não aconteceu nada de errado em decisões do Supremo nessa matéria, ou em qualquer outra”, reforçou.
O ex-presidente salientou ainda o protagonismo do STF na vida brasileira, o que frequentemente gera críticas e descontentamento. Essa visibilidade, segundo ele, faz com que a Corte esteja constantemente sob um olhar severamente crítico.
A polêmica em torno dos elos financeiros de ministros ganhou destaque após a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Congresso, ter mirado esses vínculos e sugerido o indiciamento de magistrados. A reação do Judiciário foi incisiva, culminando na solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por abuso de autoridade.


