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Política Internacional

EUA Realizam Exercício Militar Inédito na Embaixada de Caracas Após Captura de Maduro

Pouso de aeronaves Osprey em 23 de maio de 2026 marca nova fase nas relações, quase cinco meses após bombardeios que capturaram o ex-mandatário venezuelano.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 23/05/2026 - 17:15 | Meu MS News
EUA Realizam Exercício Militar Inédito na Embaixada de Caracas Após Captura de Maduro
Foto: Divulgação

Caracas, Venezuela – A embaixada dos Estados Unidos em Caracas realizou um “exercício de resposta militar” neste sábado, 23 de maio de 2026. Duas aeronaves Bell Boeing MV-22B Osprey pousaram na sede diplomática, um evento considerado “algo inédito” por moradores locais. A operação ocorre quase cinco meses após a captura do então mandatário Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, em uma operação de Washington com bombardeios.

Reações e Contexto do Exercício

Dezenas de moradores registraram o sobrevoo das aeronaves pelos céus de Caracas, parte de um simulacro de evacuação. Augusto Pérez, engenheiro de 70 anos, observou o pouso com emoção, declarando: “Quero ver como eles pousam”. O som das hélices ecoou na zona leste da capital, onde fica a embaixada. Por volta das 10h30 locais (11h30 no horário de Brasília), as aeronaves aterrissaram no estacionamento da embaixada, levantando poeira e folhas. Franco Di Prada, morador da região, confessou: “Em 56 anos que tenho, é a primeira vez que vejo isso”. Ele disse estar com “curiosidade, dúvidas”.

A embaixada dos Estados Unidos informou em suas redes sociais que o evento se trata de “um exercício de resposta militar”. A mensagem em espanhol acrescentou: “Garantir a capacidade de resposta rápida do exército é um componente essencial da preparação da missão, tanto aqui na Venezuela quando em todo o mundo”. Um caminhão de bombeiros e motos da polícia acompanharam a operação. A Venezuela autorizou o exercício aéreo na capital na quinta-feira, 21 de maio de 2026, decisão que gerou críticas entre as bases mais radicais do chavismo. Um pequeno grupo de chavistas protestou, exibindo uma bandeira venezuelana com a frase “Não à simulação ianque”.

Tensões e Reaproximação Diplomática

Fita González, uma intérprete de 28 anos, rejeitou a “interferência militar” dos EUA, mas justificou a aprovação do exercício por Caracas. “Infelizmente, nosso governo está sob ameaça; não podemos esquecer que eles sequestraram nosso presidente”, afirmou ela. Os bombardeios de 3 de janeiro de 2026, que resultaram na captura de Maduro, causaram pânico e deixaram quase 100 mortos, incluindo 32 agentes cubanos.

Caracas e Washington restabeleceram suas desgastadas relações diplomáticas em março de 2026, após mais de sete anos de ruptura sob o comando de Maduro. A presidente interina Delcy Rodríguez governa sob forte pressão de Washington e tem promovido reformas nas leis de hidrocarbonetos e mineração favoráveis ao investimento estrangeiro. Antes de 3 de janeiro de 2026, a presença militar americana na Venezuela era uma raridade.

O falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013) pôs fim à cooperação e ao intercâmbio militar com os Estados Unidos a partir de abril de 2005. Esta medida encerrou décadas de laços militares e marcou uma guinada radical na política externa venezuelana em direção ao anti-imperialismo, com o país caribenho voltando suas alianças para a Rússia, Cuba e Irã.

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