Caracas, Venezuela – A embaixada dos Estados Unidos em Caracas realizou um “exercício de resposta militar” neste sábado, 23 de maio de 2026. Duas aeronaves Bell Boeing MV-22B Osprey pousaram na sede diplomática, um evento considerado “algo inédito” por moradores locais. A operação ocorre quase cinco meses após a captura do então mandatário Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, em uma operação de Washington com bombardeios.
Reações e Contexto do Exercício
Dezenas de moradores registraram o sobrevoo das aeronaves pelos céus de Caracas, parte de um simulacro de evacuação. Augusto Pérez, engenheiro de 70 anos, observou o pouso com emoção, declarando: “Quero ver como eles pousam”. O som das hélices ecoou na zona leste da capital, onde fica a embaixada. Por volta das 10h30 locais (11h30 no horário de Brasília), as aeronaves aterrissaram no estacionamento da embaixada, levantando poeira e folhas. Franco Di Prada, morador da região, confessou: “Em 56 anos que tenho, é a primeira vez que vejo isso”. Ele disse estar com “curiosidade, dúvidas”.
A embaixada dos Estados Unidos informou em suas redes sociais que o evento se trata de “um exercício de resposta militar”. A mensagem em espanhol acrescentou: “Garantir a capacidade de resposta rápida do exército é um componente essencial da preparação da missão, tanto aqui na Venezuela quando em todo o mundo”. Um caminhão de bombeiros e motos da polícia acompanharam a operação. A Venezuela autorizou o exercício aéreo na capital na quinta-feira, 21 de maio de 2026, decisão que gerou críticas entre as bases mais radicais do chavismo. Um pequeno grupo de chavistas protestou, exibindo uma bandeira venezuelana com a frase “Não à simulação ianque”.
Tensões e Reaproximação Diplomática
Fita González, uma intérprete de 28 anos, rejeitou a “interferência militar” dos EUA, mas justificou a aprovação do exercício por Caracas. “Infelizmente, nosso governo está sob ameaça; não podemos esquecer que eles sequestraram nosso presidente”, afirmou ela. Os bombardeios de 3 de janeiro de 2026, que resultaram na captura de Maduro, causaram pânico e deixaram quase 100 mortos, incluindo 32 agentes cubanos.
Caracas e Washington restabeleceram suas desgastadas relações diplomáticas em março de 2026, após mais de sete anos de ruptura sob o comando de Maduro. A presidente interina Delcy Rodríguez governa sob forte pressão de Washington e tem promovido reformas nas leis de hidrocarbonetos e mineração favoráveis ao investimento estrangeiro. Antes de 3 de janeiro de 2026, a presença militar americana na Venezuela era uma raridade.
O falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013) pôs fim à cooperação e ao intercâmbio militar com os Estados Unidos a partir de abril de 2005. Esta medida encerrou décadas de laços militares e marcou uma guinada radical na política externa venezuelana em direção ao anti-imperialismo, com o país caribenho voltando suas alianças para a Rússia, Cuba e Irã.


