Em maio de 2020, um intenso esforço diplomático marcou o cenário geopolítico do Oriente Médio, com o Paquistão assumindo um papel central na mediação para reduzir as tensões regionais. Naquela ocasião, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve uma conversa telefônica com o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, para discutir a delicada situação das negociações com o Irã, que visavam pôr fim a conflitos na região. A informação foi amplamente divulgada pelo governo catariano em um sábado (23) daquele mês, data em que o ministro das Relações Exteriores do Catar, Mohamed bin Abdulrraman Al Thani, também realizou uma ligação para seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, sobre o tema.
Essas conversas foram impulsionadas por um relativo otimismo diplomático daquele período, que incluiu a chegada ao Irã do chefe do Exército do Paquistão, o general Asim Munir. Munir era reconhecido como uma das figuras mais importantes nas negociações, então estagnadas, e tinha como objetivo reunir-se com a cúpula iraniana. Segundo um comunicado emitido pela agência oficial de notícias do Catar, QNA, Trump e o emir “revisaram os últimos acontecimentos na região, em particular os esforços regionais e internacionais destinados a consolidar a calma e reduzir a escalada”.
A nota destacou, em especial, “os esforços diplomáticos liderados pelo Paquistão, com o objetivo de evitar uma maior tensão na região e preservar a paz e a segurança internacionais”. Tanto o presidente Trump quanto o emir do Catar declararam seu total apoio a essas iniciativas. O persistente bloqueio do Estreito de Ormuz e as estratégias para “garantir o bom funcionamento das cadeias globais de abastecimento e energia” também foram pontos cruciais da conversa entre os líderes dos Estados Unidos e do Catar.
A declaração do Catar, concluindo o posicionamento daquele momento, enfatizava a defesa da “priorização de soluções pacíficas e o apoio a todas as iniciativas destinadas a conter a crise por meio do diálogo e da diplomacia, de modo a promover a estabilidade e servir aos interesses dos povos da região e do mundo”.


