O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou neste sábado (23) que o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, atue de forma contundente para prender “ladrões e milicianos” que, segundo ele, comandaram o estado nos últimos anos. A declaração foi feita durante a inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na capital fluminense, com a presença de Couto.
Em um discurso direto, Lula enfatizou que a população não espera obras de infraestrutura, mas sim uma “limpeza” no cenário de segurança pública. “Ninguém está esperando que você faça um viaduto. Ninguém está esperando que você faça uma ponte. Ninguém está querendo que você faça uma praia artificial. Sabe o que essas pessoas esperam de você nesses meses? Trabalhe para prender todos os ladrões que governaram esse estado. E deputados que fazem parte de uma milícia organizada”, afirmou o presidente.
Lula expressou sua indignação com a percepção de que o crime organizado e as facções criminosas teriam tomado conta do território fluminense, um estado e uma cidade de renome mundial. “Não é possível o Rio de Janeiro, o estado mais conhecido no mundo, a cidade mais famosa no mundo, a gente ouvir nos jornais que o crime organizado tomou conta do território, que as facções tomaram conta do território”, reiterou, manifestando seu descontentamento com a situação.
O presidente garantiu que Couto contará com total apoio do governo federal nas ações de segurança. Ele também reiterou que aguarda a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25, conhecida como PEC da Segurança Pública – já aprovada pela Câmara e pendente no Senado – para criar o Ministério da Segurança Pública. Lula destacou a necessidade de definir o papel da União na segurança, mencionando que a Constituição de 88 concede à União um papel limitado, o que muitas vezes deixa governadores “reféns da polícia”.
Dirigindo-se a Couto, que em abril de 2026 foi mantido na função de governador interino pelo ministro Cristiano Zanin do Supremo Tribunal Federal (STF) – acumulando o cargo com a presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) até decisão final sobre eleições para mandato-tampão – Lula pediu urgência. “Aproveite esses seis meses que você tem. Ou 10 meses. Aproveite. Faça o que muita gente não fez em 10 anos nesse estado. Ajude a consertar esse estado”, conclamou.
O presidente concluiu seu apelo reforçando a expectativa da população fluminense. “Pode ficar certo que é isso que o povo do Rio de Janeiro espera de você. Não é possível esse estado poderoso, bonito, ser governado por miliciano. O povo do Rio não merece isso”, finalizou Lula, em um claro recado para a gestão de Ricardo Couto.


