O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um veemente endosso ao governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, durante a inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fiocruz. Lula não apenas elogiou a atuação de Couto, mas também classificou como “correta” a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o manteve no comando do Palácio Guanabara até que a Corte defina o modelo de eleição para o mandato-tampão. O presidente da República aproveitou a ocasião para lançar um desafio direto a Couto: combater o crime organizado e a corrupção que, segundo ele, assolam o estado.
Em um discurso carregado de críticas e aplaudido pela plateia, Lula chamou Couto ao palco. “Se a Assembleia tivesse que indicar, ia vir um miliciano. Então aproveite esses seis meses que você tem – ou dez meses – e faça o que muita gente não fez em dez anos neste Estado”, declarou o presidente, sublinhando a importância do período de gestão de Couto. Lula foi além, pedindo que o desembargador “trabalhe para prender todos os ladrões que governam esse Estado e os deputados que fazem parte de uma milícia organizada”. Couto ouviu as declarações em silêncio, sem expressar reação visível.
Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), assumiu o governo do estado em março deste ano, após a renúncia de Cláudio Castro (PL). O ex-governador deixou o cargo às vésperas de ser condenado pela Justiça Eleitoral. Sem outras autoridades na linha sucessória em condições de assumir, Couto foi alçado interinamente ao comando do executivo fluminense. Lula reiterou a gravidade da situação do Rio: “Não é possível esse Estado poderoso, bonito, ser governado por milicianos. O povo do Rio não merece isso”, afirmou, garantindo o apoio federal: “Qualquer coisa que precisar para combater crime organizado e milicianos, conte com governo federal”.
O presidente também anunciou seu retorno ao Rio de Janeiro em 30 de maio para o lançamento da plataforma de streaming Tela Brasil, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, demonstrando a continuidade da atenção federal ao estado.


