O pré-candidato à Presidência pelo movimento Missão, Renan Santos, não poupou críticas à família Bolsonaro neste sábado, 23 de maio de 2026, durante painel do Fórum Esfera, no Guarujá (SP). Em falas contundentes, Santos classificou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um “completo idiota” e seu filho, o também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como um “escroque”, afirmando que o projeto bolsonarista “nunca teve proposta para o Brasil”.
Apesar das duras críticas à figura de Jair Bolsonaro, o líder do Missão paradoxalmente defendeu que “não há nada mais democrático do que o fenômeno do bolsonarismo” no país. Segundo Renan, o movimento surgiu de forma espontânea, “de baixo para cima”, com pouca estrutura financeira, como uma resposta a demandas ignoradas pelas elites, evidenciando uma “crise de liderança” na direita brasileira. Contudo, ele ressaltou que o sistema político nacional “está longe” de ser plenamente democrático.
Ainda sobre Flávio Bolsonaro, Renan Santos reforçou que o grupo político ligado ao senador não pode chegar à Presidência da República. O pré-candidato comentou o recente áudio de Flávio pedindo dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o filme “Dark Horse”, afirmando que “o derretimento do Flávio é natural”. Para Santos, enquanto o pai trazia “um ícone, um símbolo de corajoso que enfrentava o sistema”, o filho “nem isso” possui, sustentando-se apenas na ideia de ser a única força capaz de vencer o PT.
As críticas se estenderam a outros pré-candidatos, com Renan Santos apontando que Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) optaram por seguir “na sombra” de Bolsonaro, uma postura que ele classificou como parte de um jogo político do qual busca se diferenciar. O pré-candidato também atacou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, em sua visão, “coloca em risco o futuro do País”.
Em coletiva de imprensa após o painel, Santos reiterou suas críticas ao bolsonarismo, acusando a direita brasileira de ser “leniente e condescendente” não apenas com as falhas, mas também com “crimes” que atribuiu à família Bolsonaro. Ele afirmou que integrantes do PL e até ex-membros de seu próprio movimento tinham conhecimento desses atos, mas se calavam para usufruir de “lucro político”.
Apesar da veemência de suas declarações, Renan Santos figura com 3% das intenções de voto na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (22). O pré-candidato está atrás de Lula e Flávio Bolsonaro, e tecnicamente empatado com nomes como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Samara Martins (UP), Augusto Cury (Avante), Aldo Rebelo (DC), Cabo Daciolo (Mobiliza), Rui Costa Pimenta (PCO) e Hertz Dias (PSTU).


