Uma comitiva de deputados da base do governo Lula articula em Washington D.C. contra a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. O grupo de parlamentares brasileiros, presente no Capitólio, busca que a Casa Branca reverta essa decisão unilateral.
Os deputados apresentam um documento com dez sugestões de cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. Eles argumentam que a medida dos EUA pode gerar distorções políticas e afetar a soberania nacional. Brasileiros se dividem sobre a classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA, um tema que gera debate público e diplomático.
Riscos à Soberania e Proposta de Cooperação
“A classificação de facções brasileiras como organizações terroristas por decisão unilateral estrangeira cria risco de distorção política, efeitos extraterritoriais indevidos e tensionamento da soberania nacional”, afirma o documento. O texto defende que a solução está em uma colaboração mais estruturada. “A resposta adequada está na cooperação penal, policial, financeira e diplomática, com controle das autoridades competentes, preservação da cadeia de custódia da prova, respeito à jurisdição brasileira e foco em resultados concretos.”
O grupo de parlamentares se reunirá ainda com integrantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Pedro Uczai (SC), líder do PT na Câmara e membro da comitiva, ressalta a intenção do governo brasileiro. “Estamos aqui neste termo de cooperação colocando o que o governo brasileiro pretende”, disse Uczai. “É o intercâmbio que queremos. Não interferência direta dos Estados Unidos, dizendo o que não podemos ou não fazer.”
Agenda da Comitiva e Posição Brasileira
Os deputados governistas permanecerão em Washington D.C. até a sexta-feira, 05 de junho de 2026. A agenda inclui encontros com deputados do Partido Democrata, que fazem oposição ao presidente Donald Trump. Não há previsão de reuniões com representantes do Partido Republicano, do presidente Trump, ou da Casa Branca.
A mensagem que será enviada aos americanos reforça a busca por uma cooperação internacional séria contra o andar de cima do crime organizado. “Essa cooperação deve ser feita pelos canais corretos, com base em provas, sob controle das autoridades competentes, com respeito ao direito internacional e com foco na desarticulação econômica das facções”, destaca o texto. O ministro do STF, Edson Fachin, já abordou a questão, classificando-a como diplomática. Fachin: Classificação de PCC e CV como Terroristas é Questão Diplomática.


