Com o apito final da Copa do Mundo, a atenção de Mato Grosso do Sul se volta integralmente para as eleições de 2026, que prometem um cenário de contrastes. Se a disputa pelas oito cadeiras de deputado federal e as duas vagas de senador já esquenta os bastidores políticos com intensas articulações e “puxadas de tapete” veladas, a corrida pelo governo do estado, por outro lado, parece transitar em águas mais calmas, ao menos por enquanto.
As últimas sondagens eleitorais consolidam a liderança isolada do atual governador, Eduardo Riedel (PP), que se mantém muito à frente dos demais pré-candidatos. Fábio Trad (PT) surge na segunda posição, com cerca da metade dos pontos de Riedel, enquanto Economista Renato (DC) e João Henrique (Novo), apesar das tentativas de oposição, ainda não conseguiram tracionar suas campanhas. Este panorama, consistente na maioria das pesquisas divulgadas até o momento, sugere uma eleição decidida em turno único, afastando, por ora, a necessidade de uma segunda rodada de votação.
No entanto, o clima de estagnação para o governo contrasta drasticamente com a efervescência da disputa pelo Senado. No Partido Liberal (PL), a tensão é palpável na briga interna entre Marcos Pollon e Capitão Contar pela indicação partidária. Embora Valdemar da Costa Neto tenha sinalizado apoio a Contar na semana passada, a decisão não é final. O temor de que o ex-presidente Jair Bolsonaro possa intervir e exigir a escolha de Pollon, conforme uma promessa feita em fevereiro, adiciona incerteza a um cenário já complexo.
Fora das fronteiras do PL, a corrida pelas duas vagas no Senado também se mostra extremamente acirrada. Reinaldo Azambuja (PSDB), Capitão Contar (ou Pollon, dependendo da definição do PL) e Nelsinho Trad (PSD) aparecem tecnicamente empatados na margem de erro em diversas pesquisas, incluindo a mais recente, divulgada neste domingo. Este trio protagoniza uma das mais imprevisíveis disputas do pleito, prometendo um embate voto a voto até o dia da eleição.
A disputa pelas oito cadeiras de deputado federal em Brasília não fica atrás em intensidade. A pré-campanha tem sido marcada por uma agressiva estratégia de desestabilização de chapas adversárias. O PSDB, por exemplo, sentiu o impacto dessas investidas com a desistência de alguns pré-candidatos, em um movimento que visava minar a capacidade do partido de eleger um representante federal e, por extensão, prejudicar aliados. Lideranças partidárias agiram para conter o “fogo amigo”, e a intervenção de Riedel e Reinaldo Azambuja, ao menos temporariamente, evitou um colapso maior, embora o cenário ainda possa mudar significativamente até as convenções.
Superada a fase das brigas entre partidos, a expectativa é que a tensão se desloque para as disputas internas por vagas, com muitos pré-candidatos fortes para um número limitado de assentos. A Federação União Brasil-PP, por exemplo, que hoje conta com três deputados federais – Dagoberto Nogueira, Luiz Ovando e Rose Modesto –, enfrentará grande dificuldade para manter todas as suas cadeiras. Situação semelhante aguarda o PL, que almeja eleger três, mas pode ver suas projeções reduzidas a apenas dois, especialmente se Pollon ou Contar não aceitarem disputar uma vaga na Câmara. O Partido dos Trabalhadores (PT) também terá um árduo caminho para eleger dois deputados, um desafio agravado pela saída de Vander Loubet, que, após seis mandatos consecutivos, agora busca uma vaga no Senado.


