O Brasil e os Estados Unidos se envolvem em uma escalada de retaliação diplomática, que resultou na saída de agentes de segurança de ambos os países. Michael Myers, um funcionário do governo dos EUA que atuava em cooperação com a Polícia Federal (PF) no Brasil desde 2024, deixou o país na quinta-feira (23), após o Ministério das Relações Exteriores aplicar o princípio da reciprocidade a uma medida similar imposta pelo governo de Donald Trump.
A decisão brasileira foi precedida pela retirada das credenciais de Myers do sistema da PF na quarta-feira (22), conforme revelado pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. A medida do governo brasileiro responde à solicitação da administração Trump para que o delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, oficial de ligação em Miami, deixasse os Estados Unidos. A saída de Carvalho foi confirmada na segunda-feira (20) pelo Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano, que acusou o agente de tentar “manipular nosso sistema de imigração para, simultaneamente, contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”, em um comunicado divulgado no X.
A expulsão de Marcelo Ivo de Carvalho dos EUA ocorreu após sua atuação na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) na semana passada. Em resposta, o Itamaraty convocou o representante da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil na terça-feira (21) para comunicar a aplicação da reciprocidade. O ministério criticou a medida americana, afirmando que “não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso, como estabelece o parágrafo 7.3 do memorando de entendimento bilateral que regula essa modalidade de cooperação policial”.
Segundo o Itamaraty, o agente brasileiro atuava com base em um memorando de entendimento entre os dois governos sobre o intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança. A decisão do governo brasileiro em relação a Michael Myers, que atuava em coopões de segurança no Brasil, reflete a firmeza em responder a ações que considera unilaterais e desrespeitosas aos acordos bilaterais.


