Um e-mail interno do Pentágono, obtido pela Reuters, revela que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos está explorando opções para punir aliados da OTAN que não apoiaram as operações norte-americanas na guerra contra o Irã. Entre as medidas mais radicais propostas estão a suspensão da Espanha da aliança militar e a reavaliação da posição dos EUA sobre a declaração britânica das Ilhas Malvinas.
A nota, que expressa forte frustração com a relutância ou recusa de alguns aliados em conceder aos Estados Unidos direitos de acesso, base e sobrevoo (conhecidos como ABO) para a guerra contra o Irã, foi descrita por uma autoridade norte-americana que preferiu manter o anonimato. Segundo a fonte, o e-mail enfatiza que o ABO é a “base absoluta para a OTAN” e as opções estão circulando em altos níveis do Pentágono. Outra possibilidade seria a suspensão de países “difíceis” de cargos importantes ou de prestígio dentro da organização.
Apesar das deliberações internas, um oficial da OTAN consultado afirmou que o Tratado da Fundação da aliança não prevê qualquer disposição para a suspensão de membros. As discussões vêm à tona após o presidente Donald Trump criticar duramente os aliados da OTAN por não enviarem suas marinhas para ajudar na abertura do Estreito de Ormuz, que foi fechado para a navegação global após o início da guerra aérea em 28 de fevereiro de 2026. Trump chegou a declarar em 1º de abril que considera retirar os EUA da aliança, embora o e-mail não sugira tal medida nem o fechamento de bases na Europa.
Questionada sobre o e-mail, a secretária de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, respondeu: “Como disse o presidente Trump, apesar de tudo o que os Estados Unidos fizeram por nossos aliados de OTAN, eles não estavam lá para nós.” Wilson acrescentou que o “Departamento de Guerra garantirá que o presidente tenha opções confidenciais para assegurar que nossos aliados não sejam mais um tigre de papel e, em vez disso, façam sua parte.” O memorando também inclui a opção de reavaliar o apoio diplomático dos EUA a “posses imperiais” europeias de longa data, como as Ilhas Malvinas, próximas à Argentina, que o Departamento de Estado reconhece como administradas pelo Reino Unido.


