O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, entregou neste sábado (25) as exigências de Teerã para um acordo de cessar-fogo permanente no Oriente Médio, durante uma visita oficial ao Paquistão. Contudo, a iniciativa diplomática iraniana foi recebida com um sinal de recusa por Washington, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciando o cancelamento da participação de sua equipe em negociações programadas para Islamabad.
Em uma publicação na plataforma X após deixar a capital paquistanesa, Araghchi afirmou ter “compartilhado da posição do Irã em relação a uma estrutura viável para o fim permanente da guerra”, mas questionou a sinceridade norte-americana, ressaltando que “ainda é preciso ver se os Estados Unidos estão realmente sérios” na diplomacia. Pouco depois, Donald Trump declarou à Fox News que havia instruído sua equipe a não viajar, afirmando ter “todas as cartas na mão” e que não faria “mais voos de 18 horas para ficar sentados conversando sobre nada”.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o chanceler iraniano, que chegou a Islamabad na sexta-feira (24), entregou documentos com as exigências e ressalvas de Teerã às propostas dos Estados Unidos, cujo conteúdo não foi revelado. A entrega dessas condições ocorre em um momento de máxima tensão, com a intensificação das ameaças entre os dois países por causa do estratégico Estreito de Ormuz.
A escalada mais recente na região começou na quarta-feira (22), quando o Irã atacou três navios cargueiros e capturou dois deles no estreito. Em resposta, na quinta-feira (23), militares dos Estados Unidos apreenderam outro petroleiro associado ao contrabando de petróleo iraniano, intensificando o impasse em uma das rotas marítimas mais cruciais do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
O recrudescimento do conflito já provocou impactos econômicos significativos, fazendo os preços da gasolina dispararem muito além da região e elevando o custo de alimentos e uma ampla gama de outros produtos. O Brent, referência internacional, ultrapassou US$ 100 por barril, marcando alta de 35% em relação aos níveis pré-guerra, embora os mercados acionários ainda reajam com relativa indiferença. Na mesma quinta-feira, o presidente Trump havia afirmado ter ordenado à Marinha americana [o texto original foi interrompido, mas a implicação é de uma resposta à escalada em Ormuz].


