O Irã entregou neste sábado, 25 de abril, suas exigências e ressalvas para um acordo de cessar-fogo no Oriente Médio, conforme revelado por fontes do governo paquistanês à agência Reuters. O Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, foi o responsável por entregar os documentos ao Paquistão, embora o conteúdo detalhado das propostas de Teerã às iniciativas dos Estados Unidos não tenha sido divulgado.
A entrega ocorre em meio a uma segunda rodada de negociações entre representantes dos Estados Unidos e do Irã em Islamabad, Paquistão. Apesar de o Irã não ter confirmado oficialmente sua participação até então, Araghchi chegou à capital paquistanesa na sexta-feira (24). Do lado americano, os enviados do Presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, desembarcaram neste sábado para as conversas, que, segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foram solicitadas por Teerã. O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação anterior, não participa desta etapa, mas pode se juntar futuramente.
Na sexta-feira (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia expressado otimismo, afirmando acreditar que a nova proposta iraniana atenderia às demandas norte-americanas. “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora”, declarou Trump, em um comentário que sublinha a complexidade e a sensibilidade das negociações.
As negociações acontecem em um cenário de alta volatilidade e escalada militar, especialmente no Estreito de Ormuz. Na quinta-feira (23), militares dos EUA apreenderam um petroleiro suspeito de contrabando de petróleo iraniano, um dia após a Guarda Revolucionária iraniana ter assumido o controle de duas embarcações na crucial via marítima. Esta ação, por sua vez, sucedeu o ataque e captura de três navios cargueiros pelo Irã no estreito na quarta-feira (22), intensificando sua ofensiva contra a navegação em uma rota por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.
A guerra, iniciada em 28 de fevereiro deste ano, já provocou um aumento significativo nos preços globais. O Brent, referência internacional, ultrapassou os US$ 100 por barril, com uma alta de 35% em relação aos níveis pré-guerra. Além do custo da gasolina, os preços de alimentos e uma vasta gama de outros produtos também dispararam, impactando a economia global, embora os mercados acionários demonstrem uma relativa resiliência diante do cenário.


