O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes criticou veementemente, nesta terça-feira, 28 de abril, a prática de políticos que utilizam o Poder Judiciário como “escada eleitoral” em suas campanhas. A declaração surge em meio à recente controvérsia envolvendo o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), que é alvo de um pedido de investigação na Corte.
Durante julgamento no plenário, Moraes afirmou que “políticos que não têm voto necessário para atingir as candidaturas acabam querendo ofender o poder Judiciário, a honra e a dignidade dos membros do poder Judiciário, utilizando-nos como escada eleitoral”. Ele acrescentou que pesquisas recentes indicam que esses candidatos negligenciam temas cruciais como saúde, educação e segurança pública, optando por “pegar uma escada em uma suposta polarização contra o STF” através de “agressão verbal” em vez de crítica construtiva.
A polêmica ganhou corpo após Zema publicar, em 1º de março passado, um vídeo de sátira em suas redes sociais. A peça retratava uma conversa entre bonecos, que representariam os ministros do STF Gilmar Mendes e Dias Toffoli, sugerindo uma troca de favores em meio ao escândalo do Banco Master. No vídeo, Toffoli supostamente pedia a Gilmar a anulação de quebras de sigilo de sua empresa, aprovadas pela CPI do Crime Organizado do Senado.
Diante da repercussão, o ministro Gilmar Mendes enviou uma representação a Alexandre de Moraes em 20 de abril passado, solicitando a investigação do pré-candidato à Presidência por suspeita de indícios de crime na publicação. Moraes, por sua vez, solicitou uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre a eventual inclusão de Zema no inquérito.
A tensão escalou quando, no dia seguinte ao envio da representação de Mendes, 21 de abril – data da Inconfidência Mineira –, Zema fez uma nova publicação criticando o STF. O ex-governador comparou os ministros e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à coroa portuguesa, declarando: “Você acha que nós somos livres de verdade? Eu acho que não. No lugar da Coroa Portuguesa, se sentaram os intocáveis de Brasília. Os políticos vendidos, os empresários ladrões e os juízes que se acham acima do bem e do mal”.
A publicação, que fazia alusão à Inconfidência Mineira, utilizava imagens geradas por inteligência artificial, apresentando os rostos dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do presidente Lula e do banqueiro Daniel Vorcaro, intensificando a controvérsia.


